Extinção voluntária do humano

BigCatFight

Descobri este site. Proclama, alto e bom som: “Phasing out the human race by voluntarily ceasing to breed will allow Earth’s biosphere to return to good health. Crowded conditions and resource shortages will improve as we become less dense.” Ou seja, este movimento propõe que a a humanidade se extinga. Voluntariamente. Por amor à Terra, ao planeta, à natureza.

O propósito, mais militante do que nobre, é apenas um reflexo caricatural de uma certa aversão ao humano (ou aos actos pelos quais o humano se manifesta e perpetua) que o século XX inspirou. A começar numa inequivoca pureza ideológica (tão pura que está sempre fora de qualquer Sistema). A acabar numa certa pureza ecológica. Dizem eles:  “When every human chooses to stop breeding, Earth’s biosphere will be allowed to return to its former glory, and all remaining creatures will be free to live, die, evolve (if they believe in evolution), and will perhaps pass away, as so many of Nature’s “experiments” have done throughout the eons.

Temos tudo; os antiobióticos, a capacidade de mudar orgãos, prolongar a vida para além do que séculos sonharam e olhamos para nós mesmos com este asco, esta arqui-culpa. Canta-se a solitária glória de uma natureza cheia de periquitos e lagartos, de tigres e macacos, de milhões de predadores sem o grande predador. Nenhum dos predadores parece exprimir grandes dúvidas. O tormento é só nosso. O que é que fizemos de tão errado?

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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10 respostas a Extinção voluntária do humano

  1. celeste martins diz:

    Só os humanos têm o sentido da finitude e ” pour cause”vingam-se nos outros seres ou em si mesmos !!! É o nosso “fado”. mas, às vezes temos um rasgo de transcendência e grandiosidade surpreendentes!!!!

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    Existe um filme, “Apocalipse – O Fim do Universo” em que é defendida a extinção da humanidade pelas maldades cometidas. A ação começa em Stonehenge. Para quem gosta de ficção científica, recomendo.

  3. Confesso já que não padeço de tal tormento: mais depressa matava um lindo tigre, e se gosto de bicharada, do que deixava que ele me comesse. Aposto que o tigre pensa o mesmo, mas ao contrário. Isso é um maluquedo cheio de ódio, não é cheio de culpa, a culpa é de outra loiça.

    Então e os senhores do manifesto, já fizeram todos harakiri?

  4. Pedro Bidarra diz:

    Nada de errado fizemos. Fizemos o que os outros bichos fizeram: sobrevivemos e reproduzimo-nos; só que com mais eficácia. Até agora. Somos talvez a especie mais predadora e engenhosa que existe. Mas a coisa regular-se-á. Até lá é respirar e gozar.

  5. Manuel S. Fonseca diz:

    Claro que sim, Pierre. Piores que nós, só o raio das baratas.

  6. nanovp diz:

    Somos a unica espécie viva que consegue cozinhar de forma eficaz e saborosa outros seres, predadores ou não….talvez isso dê azo a alguma inveja…mas por enquanto há que gozar o leitão assado e a lagosta suada….

  7. António Barreto diz:

    A verdade é que esta “moda” é cada vez mais vulgar entre nós, começando desde logo pela comunidade bióloga! Para eles, nada se sobrepõe à proteção de todos os “bichinhos” até ao absurdo! Há casos ridículos! Julgo que este “fundamentalismo” pode ter a ver com a característica “especializante” da “era da automatização”, onde muitos, sabem muito de muito pouco.

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