Não Abras a Janela

UnknownBalthus, “Nude with a Cat”, 1949. Na National Gallery of Victoria, Australia.

Adormecidos na tarde melosa de calor, ou a banhos de luz depois de alguém abrir as portadas…E não haverá outras histórias que renascem com a luz agora revelada?

 

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência.

Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra.

Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data.

A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach.

De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro.
A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.

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12 respostas a Não Abras a Janela

  1. celeste martins diz:

    Por detrás da mascara, numa armadura feita de carne e ossos, há sentimentos, poesia,e emoções que muitas vezes só conseguem expressão pela escrita .. !!! E o maravilhoso é que o talento não necessita de palcos nem de exposições inibidoras !!! E a arte revela.se em todo o seu esplendor nas obras que todos os dias nos fazem crescer um pouco mais !!!

    • nanovp diz:

      É isso mesmo. Muito do interesse da arte são essas revelações surpreendentes que nos fazem abrir os olhos para um mundo diferente.

  2. António Barreto diz:

    Certamente que sim. Cada um de nós “descobrirá as mil estórias” que o autor sugere. Estórias a que as palavras não chegam.

  3. nanovp diz:

    Tal como a poesia, a pintura pode esconder tanto como aquilo que revela, e a imaginação completa tudo orquestra está em aberto.

  4. Balthus, boa malha.

  5. Ivone Mendes da Silva diz:

    Balthus, Bernardo? Pois, boa malha, como diz o Pedro. Vamos a lá a ver …

  6. Maria do Céu Brojo diz:

    Não tarda, estou a abeirar-me do “Nude with a Cat”.

  7. Ó Bernardo, que boneco difícil… ainda por cima a moça parece que tem o pescoço partido.

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