O rei dos gatos

Blathus

Ficava-me bem agora atirar esta: há uma escola de pensamento da qual fazem parte Balthus, Paula Rego, este e aquele, mais a outra. Na literatura patatipatatá. Vêmo-lo no pim-pam-pum cada bala mata um. Podemos com facilidade seguir esta linhagem até à origem e lailailai.


Mas hoje não estou para aí virada, porque hoje não acredito em escolas de pensamento: hoje acredito na natureza com que se nasce e o que dela se escolhe e deixa florescer em todas as estações, ou só numa, e para isso não é precisa linhagem, é-se do mesmo sangue e sabe-se e basta.

A melhor qualidade de Balthus, o rei dos gatos, era modo como se inventava sustentado, não em factos, mas na imaginação dos factos. Coisa baralhante para biografismos já que estes são limitados por uma concepção limitada de realidade: está-se obrigado a nascer num sítio, por exemplo, e só por causa desse mínimo detalhe não se pode nascer em mais dois ou três ou dez. Ora isto, sendo uma verdade, nem por isso deixa de ser uma grande mentira. Conheço gente que chegou a nascer mais de uma vez por dia nos períodos em que a morte imperava.

Faço a vontade a Balthus, a que, na realidade, não teve: No biographial details. Begin: Balthus is a painter of whom nothing is known. Now let´s look at the pictures. Regards. B

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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12 respostas a O rei dos gatos

  1. Ivone Mendes da Silva diz:

    Muito bem pensado, menina Eugénia, o lailailai da natureza com que se nasce é que é o alfa e o ómega.

  2. riVta diz:

    uhm…um museu das curtas comprido
    😛

  3. menina Eugénia, o Balthus era um guitarrista. Dedilha bem.

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Um visionário, um voyeur, um Big Brother de adolescentes e gatos? Mas a quem interessa os rótulos. Artista de mão-cheia, era o que era.

  5. nanovp diz:

    Concordância absoluta, que se lixe a biografia e vamos é olhar as pinturas e fotografias. Uma das minhas salas preferidas no Thyssen tinha na parede do fundo o “jogo de cartas ” do Balthus e ao lado um Hopper ( que penso que era o “morning sun”).

  6. Olinda diz:

    parece que andaste a ler da terapia de Wolpe e depois, lailailai, regaste tudo a poesia. e é assim que nasce a prosa. 🙂

    • Wolpe? Skinner e afins… Ai que pavoreti, parece que voltámos à escola secundária. É fugir ou ainda acabamos em fim de linha com O Homem Que Matava Cabras Só Com O Olhar. Fun!

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