Sono e sonho, rio e tempo

 

goya

Goya, Las viejas o el tiempo

Talvez a vida não seja mais do que sonho, talvez a nossa pequena vida esteja cercada, apenas e só, pelo redondo sono.

Mais do que a matéria com que se constroem os sonhos, prefiro pensar que é o tempo a substância de que todos somos feitos. Um tempo irreversível e inexorável.

Podemos sonhar, pode o sono obscuro invadir-nos, o que não podemos é negar o tempo. Negá-lo é negarmo-nos.

Por vezes é lícito trocar Shakespeare por Borges.

Trocar sono e sonho

We are such stuff
As dreams are made on; and our little life
Is rounded with a sleep.
Shakespeare, The Tempest

por rio e tempo

El tiempo es la sustancia de que estoy hecho.
El tiempo es un río que me arrebata, pero yo soy el río;
es un tigre que me destroza, pero yo soy el tigre,
es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego
Borges, Otras Inquisiciones

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

8 respostas a Sono e sonho, rio e tempo

  1. António Barreto diz:

    Estou com o Borges.

  2. Tempo – acredito que somos feitos disso. E o sonho é o que fazemos com o tempo que nos é dado. Gostei muitíssimo.

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Negar o tempo é ociosidade maior que guerrilhá-lo.

  4. nanovp diz:

    Parece fácil escrever assim, a dificuldade essa sente-se ao ler a diferença. Como esta aqui.

Os comentários estão fechados.