Onde há desejo, há prazer

 

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5ª feira, dia 11, está nas livrarias de Portugal

Há autores que têm voz própria. Há livros que são escritos na língua do desejo. Eugénia de Vasconcellos é essa autora. “Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea” é esse livro.

O facto de aquela Eugénia ser a nossa Eugénia, Triste de “Escrever é Triste”, o acidente de ser eu, outro Triste, o editor dela, são daqueles conflitos de interesses para que me estou muito bem marimbando. Sou leitor e li. Ri-me, bati palmas, engasguei-me.

A autora avisa: escreveu um livro de opinião. “Convicta, porém opinião.” Fez ela se não bem. Sobre camas, sobre sexualidade, toda a ciência é de ontem. Eu já tinha ouvido dizer coisas – como as que diz Camille Paglia – mas tudo o que Paglia diz, é dito em inglês. Apetecia-me que “Onde há desejo, há prazer. Onde há prazer, há boa cama” viesse dito em português e que, em português, o facto mais simples do quotidiano, como deitar-se alguém com os pés frios, pudesse ser um dado filosófico, sociológico e antropológico a ter em linha de conta na grave e académica consideração de uma questão tão actual como a decadência institucional do casamento.

Camas” é e não é um livro escandaloso. Pode parecer levianamente ligeiro – mulheres de pénis e homens castrados – quando se espreita só por um buraco, qualquer buraco. Mas se se abrem mesmo os lençóis, entra-se e percebe-se que estas “Camas” são de uma humanidade comovente. Não dividem, não fracturam. São “Camas” em que cabem nações, cabe uma literatura, a de milhares de mulheres e milhares de homens, cabem sacerdotisas e sacerdotes, restauram-se rituais, há elevação mística e celebra-se o carnaval.

O livro despertará, porventura, ranger de dentes e as canónicas intolerâncias. Sempre os houve quando corpo e amor, alma e sexualidade se furtaram a um dualismo certinho e bem comportado. As “Camas” de Eugénia de Vasconcellos, espécie de vórtice  místico em que se fundem sensualidade, arte, carne e verbo, oferecem-nos dragões. E não é São Jorge quem quer.

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A partir de dia 11, esta 5ªa feira, numa livraria próxima de si.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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19 respostas a Onde há desejo, há prazer

  1. Bruto da Silva diz:

    Então, as honras de lançamento, os autógrafos, à Bi Darra?

    Que dirá, com reverendíssima e clemente honra, D. Manuel III?

  2. Ó Manuel Fonseca… este é o prefácio que o livro não tinha. Merci, fiquei muito contente.

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Aquelas pin-ups da capa estão deliciosas. Amanhã, um exemplar é meu!

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Maria do Céu, agora lembre-se de vir de pin-up para o nosso próximo Triste jantar!!!

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Mais digo: não me venha o Manuel com ideias bem alinhadas para justificar a injustificável ausência da escritora aos olhos do mundo. Temho para mim ser fundamental que a nossa talentosa Eugénia se revele ao vivo e a cores para os leitores em geral, os primos Tristes em particular. O rosto, a fala, a linguagem gestual são acrescentos indispensáveis ao livro. Mesmo dos autores falecidos e cujas obras nos rendem temos as ‘Wikis’ para contexto afinado.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Ah, também acho, também acho, mas o que é que a Eugénia nos reservará?

      • MJC diz:

        Não concordo nada convosco, embora vos entenda perfeitamente: é uma particularidade da Eugénia, com quem por vezes é mais difícil de contactar do que com o Papa, quanto mais o resto… Sei do que falo!! Claro que eu falo “de barriga cheia” pois tenho o grande prazer de ser amiga da Eugénia há uma vida. Seja como for acho que indispensável a um livro é só que seja lido, e indispensável a um autor que seja publicado.

  5. ana moreira diz:

    Informação de última hora: A Eugénia vai comigo de férias. 🙂
    Eugénia, estou feliz por si e por mim. Há pessoas tão especiais que só nos é possível ter assim – em livro. Thanks!

  6. nanovp diz:

    Oh Manuel já se perspectiva uma “Biblioteca Triste”, e depois haveria umas edições especiais acompanhadas de repasto onde os autores e editores eram obrigados a apresentar as suas obras…

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Bernardo, parece-me uma grande ideia. Devemos juntar projectos musicais, arquitectónicos, artísticos a essa tertúlia!

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  8. Margarida diz:

    Deusa querida, um livro seu é das coisas mai’lindas que podia acontecer este ano! Merci, como diz!
    ‘joquitas caninas, if you know what I mean.

  9. Eugénia,
    que surpresa tão boa!
    A capa é deliciosa e estou cheia de vontade de lamber os dedos a ler o livro.
    Que bom.
    Quem me dera ter férias por perto. Mas nem de longe. Lá irei eu de spacio…

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