Ouvindo o que o mar dizia V

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Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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12 respostas a Ouvindo o que o mar dizia V

  1. Ana Paula Doutel diz:

    O mar tudo diz a quem o sabe escutar…
    A nostalgia está mais presente em pessoas com recordações muito felizes…
    Haverá melhor “diálogo” que um silêncio partilhado? … penso que não!

  2. O mar diria que não é rio:

  3. Ana Paula Doutel diz:

    O mar, alegremente triste, diria, talvez, que seria o guardião de todas as memórias, histórias, músicas, vidas passadas…

  4. Olinda diz:

    dizia que queria dar o pinote: intrusos de pedra não, cáspite! 🙂

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Ícone de esperança e sonho. Por muitos passei nas minhas andanças. De todos recolhi na memória, pedaços.

  6. maria diz:

    Edward Hopper…

  7. “Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia”

    Eu hontem passei o dia
    Ouvindo o que o mar dizia.

    Chorámos, rimos, cantámos.

    Fallou-me do seu destino,
    Do seu fado…

    Depois, para se alegrar,
    Ergueu-se, e bailando, e rindo,
    Poz-se a cantar
    Um canto molhádo e lindo.

    O seu halito perfuma,
    E o seu perfume faz mal!

    Deserto de aguas sem fim.

    Ó sepultura da minha raça
    Quando me guardas a mim?…

    Elle afastou-se calado;
    Eu afastei-me mais triste,
    Mais doente, mais cansado…

    Ao longe o Sol na agonia
    De rôxo as aguas tingia.

    «Voz do mar, mysteriosa;
    Voz do amôr e da verdade!
    – Ó voz moribunda e dôce
    Da minha grande Saudade!
    Voz amarga de quem fica,
    Trémula voz de quem parte…»
    . . . . . . . . . . . . . . . .

    E os poetas a cantar
    São echos da voz do mar!

    António Botto, in ‘Canções’

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