Não tomarás o pincel de Matisse em vão

 

cabeça

a bela cabeça de Picasso

Vai fazer um ano. Em Outubro do ano passado, de um Museu de Roterdão, roubaram a “”Cabeça de Arlequim” de Picasso, “A Leitora de Branco e Amarelo” de Matisse, “A Ponte de Waterloo” e a “Ponte de Charing Cross” de Monet, a “Mulher em Frente à Janela Aberta” de Gauguin, o “Auto-retrato” de Meyer de Haan e a “Mulher de Olhos Fechados” de Lucien Freud. Uma limpeza, grande colheita.

woman eyes closed

Freud de olhos fechados

Recordo os mais distraídos que, ao longo dos anos, têm sido roubadas telas de Van Gogh, Caravaggio pois então, há menos de três anos foi o “Pigeon aux petits” do señor Pablo Picasso, para não falar do “Grito” do Munch que já foi gamado duas vezes.

Mas isto também não pode ser assim. Mesmo para roubar museus tem de haver regras. Até para se roubar uma cinematecazita, essa estranha forma de ser museu em movimento.

E pensam que não existe uma norma? Acham que Bruxelas deixava a coisa à deriva? Ora leiam esta Art Protection Directive emanada pelo EU Justice Scoreboard. Traduzo pela primeira vez para português, sendo curiosa a forma como sistematizaram a directiva na forma aproximada de decálogo:

“Não tomarás o nome e muito menos o pincel de Matisse em vão Gogh.

Lembra-te de uma noite no Museu, para o santificar. Um Angelus e seis dias trabalharás, e farás teu todo o trabalho de La Tour; mas o sétimo dia é o do Museu. Nesse dia farás o trabalho à noite, como Hopper, o estrangeiro que está sempre dentro de portas.

Honra Bracque e Léger e a Picasso sua mãe, a fim de que os teus dias se prolonguem sobre a tela que o Museu te dá.

Não matarás a guache ou a óleo, muito menos a Kandisnky ou a erínica pop art.

Não cometerás adultério, nem sequer com Olympia ou a primeira Vénus que te apareça e ainda por cima no Museu, onde o tempo é escasso.

Não furtarás mais do que 5 telas por noite.

Não levantarás falso testemunho contra a pintura que, como um falcão, se move na noite escura.

Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem a mulher de Modigliani, nem seu escravo Matisse, nem o leque da escrava de Gauguin, nem seu touro Picasso, nem seu jumento Warhol, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo, com excepção de tudo o que pertença ao Museu e à agrilhoada arte que nele sofre.”

Leitora

É lei, é lei. Cumpra-se. (Mas há leis, mesmo de Bruxelas, que são inaceitáveis. Revolta, revolta, vai bater àquela escolta.)

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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11 respostas a Não tomarás o pincel de Matisse em vão

  1. Olinda diz:

    pimba: gamaste-me o riso! 🙂

  2. adelia.riès diz:

    Les Belges ce sont des farceurs. C’est bien connu 😀

    • Manuel S. Fonseca diz:

      E grandes comedores de moules e batatas fritas! É dar-se-lhes em cima e mais nada.

  3. Já me ri com as larápias normas do Museu Sinai, Moisés Fonseca!

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Segundo parece, até fantasmas em cinema são apelo para larápios de cartola.

  5. Não invoques o pincel em vão:

  6. nanovp diz:

    Ladrão como estes terá cem anos de perdão , pelo bom gosto claro….

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