Ó Abreu, são as artes e lá vou eu

 

As artes têm de dizer “eu” até à exaustão. Não há artes na terceira pessoa. Está absolutamente interdito às artes omitirem a subjectividade. Ou, dito de outra maneira, às artes está proibido o direito de usurparem a objectividade. Seria cobardia.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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6 respostas a Ó Abreu, são as artes e lá vou eu

  1. António Barreto* diz:

    Interessante! É que tenho andado a pensar algo semelhante depois de ter lido o texto do Pedro Bidarra onde refere algo angustiado, não ter, naquele dia, algo a dizer às pessoas.

    Julgo que todos nós temos “o dever” de dizer aos outros quem somos, nomeadamente pela arte, porém, recordo o que disse Saramago – de quem não gosto -: – E você quem é?

    Disse ele que todos procuravam dizer quem são – duvido! – mas poucos procuram conhecer o outro!

    Pode – e deve – porém, a arte, libertar-se das “peculiaridades” do autor e levar o outro a questionar-se; um processo onde a subjetividade tem papel fundamental; a arte não ordena, sugere! Não valorizo a objetividade na arte, mas a multiplicidade de “vias” que é capaz de sugerir.

    Será que interpretei bem o tema ou foi ao lado?

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Interpretou muito melhor do que conseguiria e já me ajudou a pensar outra coisa: as artes para serem artes são o encontro de duas subjectividades, o do eu que a faz e a do eu que pode fruir.

  2. O que precisas é de mais tequila:

  3. nanovp diz:

    Cobardia ou impossibilidade, às vezes uma mascara-se da outra…

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