One From the Heart, uma ideia de música

OneFromTheHeart

O “One From the Heart” não é só um filme de fusão de tempo e espaço. Não é só um filme em que imagens se acendem dentro de outras imagens, um filme da simultaneidade de temporalidades distintas ou da simultaneidade de espaços descontínuos. “One From the Heart” é, lembram-se os mais cinéfilos e godardianos, um filme que fez da noção de plano um puro arcaísmo. Vê-se uma cidade e nela as fiéis infidelidades dos amantes. Vê-se um deserto e nele a excessiva luz de uma cidade.

O “One From the Heart” é também o filme em que Crystal Gayle, vinda desse estranho planeta que é a “country music“, canta extraordinariamente ao lado do Tom Waits. Juntos interpretaram uma das melhoras bandas sonoras de sempre. Bem sei que já ouviu, há muitos anos. Mas tenho a certeza de que se foi esquecendo e que, sobretudo, não acredita que essas canções tenham resistido a quase 30 anos.

Resistiram sim. Quer ver? Ouça esta opening montage. É uma delícia e a menina Gayle tem “imensa culpa” — fica muito bem o contraste entre o melódico dela e o áspero dele.

Entre o doce e o amargo, I can’t tell: is that a siren or a saxophone? Era a música nas mãos, num filme em que o melodrama era todo em luz.

 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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14 respostas a One From the Heart, uma ideia de música

  1. Sandra Barata Belo diz:

    One From the Heart. Não é aquele em Vegas em que a Nastassja Kinski é uma artista de circo? Fez-me sonhar tanto o Coppola…

  2. parece que ele acalma e ela arrebita. e o saxofone incita-a. adorei.:-)

  3. Gosto tanto deste filme que até enjoa, tanto que até gosto da Crystal Gayle – mas só nesta banda sonora.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      LInda Gayle, não é? também já a tentei ouvir fora do Coppola e não consigo.

  4. nanovp diz:

    Uma mistura estranha, um filme original e que surpreende tudo e todos …e o Tom é sempre o Tom….

  5. Ana Rita Seabra diz:

    Que saudades eu tinha desta música!

  6. Manuel, tens toda a razão: é das melhores bandas sonoras de sempre. Continuo a ouvi-la como a ouvia há 25 anos. E o filme, idem.

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