Almost Visible Orchestra

“It´s Easy To Be a Marathoner Even If You Are a Carpenter”. “Life is Like a Fried Egg, Once Perfect Everyone Wants to Destroy It”. “I Will Try to Stop Thinking About a Way to Stop Thinking”. “It´s Useless to Think About Something Bad Without Something Good to Compare”. “I Was Trying to Sleep When Everyone Woke Up”. Se houvesse um concurso para escolher o álbum com os mais criativos títulos de sempre, estaria encontrado o vencedor à partida: Almost Visible Orchestra (mais um título bem poético, por sinal) e foi posto à venda a semana passada com a assinatura de Noiserv. Um bizarríssimo nome, mais um, sob o qual se esconde um português que canta e escreve em inglês e que nasceu com um nome tão banal (e inapresentável para quem prima pela originalidade) como David Santos. Pois é, já aqui falei dele, e dele só volto a falar porque este Almost Visible Orchestra se arrisca a ser o melhor álbum da música portuguesa (porque é portuguesa, ainda que cantada em inglês) dos últimos anos. Não acredita? Se o caro leitor/ouvinte se considera um senhor importante, daqueles que se levam sempre a sério, que mede bem as palavras e as acções e fala com grande pompa e circunstância sobre tudo e mais alguma coisa, faz bem em não acreditar, porque este álbum não foi feito para si. Mas se, de vez em quando, gosta de se armar em Peter Pan ou de passar para o outro lado do espelho, se faz por se aventurar em mundos paralelos feitos de fantasia, serpentinas, barracas de feira, figuras de papel e brinquedos, nunca mais vai querer ter longe de si a música de filigrana de Noiserv. E, para o caso de a sua imaginação precisar de um empurrão para tornar visível esta Almost Visible Orchestra, o David até lhe faz o favor de lhe mostrar – em imagens que o vão encantar ainda mais – o que se passa no mundo dele.  

 

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.
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8 respostas a Almost Visible Orchestra

    • Se me importo? Agradeço penhorado, eu e também os caros leitores/ouvintes certamente. Finalmente, fiquei a saber a origem do bizarro nome Noiserv.

  1. Podemos votar, Diogo? Voto no It´s Easy To Be a Maratho­ner Even If You Are a Car­pen­ter- Grande título.

    • Grande título indeed Manuel. Espera aí que já volto, tenho de ir ali dar cabo de um ovo estrelado. E só não dou cabo da vida, felizmente, porque esta está ainda muito longe de ser perfeita.

  2. Sandra Barata Belo diz:

    que bom! venham de la as asas de Peter Pan, passa-te para o outro lado do espelho mais vezes e traz-nos mais destes bombons.

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