O íntimo laboratório do mal

full-metal-jacket

Num filme, “Full Metal Jacket“, Stanley Kubrick quis figurar a cara do mal. Quis sobretudo mostrar que o mal, esse “evil” tão caro aos americanos, é íntimo, intrínseco, interno – in, in, in –  e não se deve procurar apenas em causas externas como contemporaneamente a cultura americana pós-anos 60 (com a sua “culture of complaint”) procurou fazer.

jacket

Mostrando com crueza e objectividade (como é que se diz? behaviourista?) o treino básico de recrutas que querem vir a ser “marines”, toda a primeira parte de “Full Metal Jacket“,  funciona como um laboratório do mal, onde se faz a pesquisa, cultura e inoculação do vírus. Nas vezes que vi, tive medo de o apanhar.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

18 respostas a O íntimo laboratório do mal

  1. o mal que anda em todo lado – até na omissão. mas ainda bem que existe só para eu poder escolher.:-)

  2. fernando canhão diz:

    Em 1994 António. S. Viana, jornalista, publica (escrita noutros tempos) na Editora Caminho ” A primeira coluna de Napainor”. Para minha surpresa temos lá Gustav Hasford’s The Short-Timers de 79, que o autor inclusive desconhecia, o texto, não o filme do seu amigo. The Short Timers tira-se da net, o outro imagino que através da Caminho.
    Boas leituras.

  3. celeste martins diz:

    Há aquela ténue fronteira …..e a escolha, às vezes, é irreversível…..!!!!!
    Por isso há deuses e demónios………que é como quem diz ( gente bera e um bocadinho menos bera) !!!

  4. Mário diz:

    É mesmo assim, como uma vacina, inocula-se com a estirpe para não morrermos dela. Fogo contra fogo. Ódio contra ódio.

  5. nanovp diz:

    Não sei o que é mais duro Manuel se o laboratório em terra americana, se a desumanização em terra vietnamita…a cena da mulher guerreira moribunda a pedir que a matem…o monstro estava em todo o lado…

  6. António Barreto diz:

    É um filme que nos marca, de facto; a escola do mal…onde a autoridade a humilhação e adversidade levadas ao extremo criarão as respostas emocionais e técnicas necessária à sobrevivência nos futuros cenários de guerra. A doutrina prevalecente de que o homem é, exclusivamente, um produto do meio, é provadamente, um erro trágico que muito tardará a corrigir.
    Porém, neste caso, estou em crer que o recruta homicida/suicida, não era intrinsecamente mau; apenas não suportou a incapacidade da sua própria natureza com a carreira militar imposta pelo pai, e sobretudo, a profunda deceção, pelo condicionamento do afeto deste, ao seu sucesso naquela.

    • É essa a dúvida, caro António: não suportou ou foi a sessão noctuna de pancada naquele saco de banha que despertou um íntrinseco mal? Não conseguirmos responder é um dos méritos do Full Metal Jacket.

  7. Traz para aqui estas coisas terribilis para termos pesadelos. Acha bem?!

Os comentários estão fechados.