Harriet Andersson, actriz de Bergman. E vão duas…

Foi a primeira das quatro grandes actrizes de Bergman. Esta evocação, como a de Bibi, é velhinha, de 11 de Março de 1989.

Monika

a imagem — a fotografia — que volta sempre

 Harriet Andersson

Harriet Andersson actuava no Teatro Scala de Estocolmo, na revista, com meias de renda e decotes generosos – “em negligée e interpretando canções sugestivas“, na expressão pão pão, queijo queijo de Bergman. Hoje, esse tipicismo sueco que conhecemos pelo nome de «So­nho de Verão», não é nada sem a sua ima­gem. Bergman fantasiou aquele sonho de «liberdade e de sensualidade» em Lição de Amor, Sonhos de Mulheres, Morangos Silvestres e em Sorrisos de Uma Noite de Verão. Mas a imagem — a fotografia — que volta sempre, vibrante como um incêndio, é a de Harriet Andersson em Monika e o Desejo.

Deve ser impossível saber como é que se consegue ser ao mesmo tempo tão abismal­mente sensual e tão naturalista. O qualifi­cativo «bergmaniano» nasceu com ela. É aquilo: um corpo oferecido, insatisfeito, animal. E há um cigarro ao canto da bo­ca, os maxilares que mastigam intermina­velmente a mesma pastilha elástica, a face altiva a lembrar o que Bergman sempre disse: que só o rosto humano conta e que o grande plano é uma arte esquecida.

Foi assim e se assim era prodigiosa, maior prodígio é que tenha transformado toda essa força vital no rigor mortis da sua personagem em Lágrimas e Suspiros. Do que fora em Monika, nesse Lágrimas e Suspiros, filme final de um certo universo bergmaniano, ainda havia a boca grossa, ago­ra inutilmente carnuda, exangue.

Ninguém sabe onde mora. No Teatro AB, em Estocolmo, recebem-lhe as car­tas. Enderece-as a Harriet ou Monika. Tanto faz.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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7 respostas a Harriet Andersson, actriz de Bergman. E vão duas…

  1. Lindos ombros, lindo decote, lindas maminhas, atléticas pernas e belo perfil alto. Fantástica fotografia. A natureza é bela. A de Bergman também.

  2. olinda de freitas diz:

    eu gosto da dedicação que ela mostra ter como qualidade pelo pormenor de mastigar a mesma chicla. 🙂

  3. nanovp diz:

    Não houve muitos “namoros” como este jogo sensual que a câmara faz com a atriz…Eterno.

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