O sentido da vida

As-mulheres-da-familia

Três já o conhecem. A mais nova ainda não. Veja-se a curiosidade com que olha o mundo nos olhos. Depois vem a tristeza de o entender, a resignação com que nele se vive, a dignidade com que se enfrenta a memória de tudo. O sentido da vida está nesta fotografia. Não vale a pena procurá-lo em filosofias, poesias ou ciências. O sentido da vida está aqui, nesta pose encenada por um fotógrafo de aldeia.

Esta imagem vale, não as proverbiais mil palavras, mas mil páginas de um romance que seria incapaz de escrever. Era incapaz de tanta filosofia como a que há nesta fotografia.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu):
“Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”

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15 respostas a O sentido da vida

  1. ai! que linda descrição! a dos olhos de resignação é a que mais sofre. a da dignidade que a memória carrega é a, não menos infeliz que as outras, mais serena. a petiz, sim, é a que mete esperança no olhar sem querer roubá-la à seguinte: une-as, a estas, os rendilhados dos sonhos.

    (sem querer ser chata, segundo parágrafo as por a.)

    e de onde veio a vidagrafia?

  2. riVta diz:

    A avó parece que passou no photoshop
    😀

  3. Coincidiu, estava a ler e saiu-me no youtube a Valsa Triste do Sibelius que é mais serena do que triste. É a banda sonora certa. Um diálogo de sopros e vilinos, da bisavó à bisneta e da bisneta à bisavó.

  4. Triste da Silva diz:

    Prazer redobrado: li e reli sem a tal fotografia… e podia sempre ser outra a solução do enigma…

    Ao ver que eram só mulheres… imaginei outras soluções, também com vida, também com sentido, também com eles.

    Fui ver a música, com outras fotografias… mas esta tem mais vida e mais sentido, com elas e eles 😉

    • Pedro Bidarra diz:

      é verdade que são só mulheres. E, como me fez ver uma mulher, não têm nome de família. Cada uma tem o apelido do marido. Há aqui qualquer coisa…

  5. nanovp diz:

    Olhos nos olhos (como a mais nova)…Não escrevas Pedro, que é uma armadilha mascarada de vida e tempo…

  6. Ana diz:

    Rapaz! Daqui do Brasil um abraço de quem se sente abençoada ao descobrir esse blog. Quem seria o fotógrafo triste??? ana

    • Pedro Bidarra diz:

      Não sei quem era o fotógrafo. Perdeu-se no tempo. As mulheres sei quem são. O sentido da vida também não o conheço bem.
      Que bom que veio aqui parar. Volte!

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