E se todo o sexo virtual for real?

Em 1993, há vinte anos, portanto, no filme Demolition Man, a linda Sandra Bullock fascinada não apenas com o século xx que “recriara” no seu apartamento, mas também com um homem trazido do século xx para barbaramente ser o que barbaramente somos, muito racional e desinibidamente propõe-lhe sexo. Não terá sido o que ele esperava, porém…

Muito antes da menina Sandra, já o tio Woody Allen dera conta do recado em Everything You Always Wanted to Know About Sex.

Isto a propósito do quê? Do que escreveram a menina Céu e o nosso Manuel Fonseca. Porquê? Parece-me que realidade é o que experimentamos, seja com o corpo, com o pensamento ou com a imaginação – podem separar-se apenas nos actos, nem tudo quanto pensamos fazemos, por exemplo, mas existe, ou não?

Do êxtase mais místico ao de prostíbulo, o sexo terá sempre as virtudes e as falhas de quem o faz, seja na cama, na cozinha, por carta, sms ou qualquer modalidade de internet. E nenhuma forma exclui qualquer outra. Au contraire, pode-se somar. Nora e Joyce devoraram-se também com palavras. De Picasso nem vale a pena falar… Olhe, a Eva Langoria mandou o marido à urtigas por causa de sms que ele trocava de, enfim, chamemos-lhe alta tensão – indignou-a que não os trocasse com ela e o fizesse com outra. Margot Fonteyn e Nureyev efervesciam e nem por isso ele deixava de ser menos gay ou promíscuo. É essa assinatura, a de dois que se encontram, seja lá onde for, seja lá como for, que o faz único. Deste mesmo fogo vital se faz a pintura, o cinema, a música, a poesia e tudo quanto nos separa da natureza. A mesma natureza que lhe oferece o primeiro sopro. O resto é paixão. O resto é amor.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

20 respostas a E se todo o sexo virtual for real?

  1. Olinda,

    os comentários não são moderados. Este é um espaço lúdico. Mesmo Triste gostamos dele feliz. Partimos do princípio que os nossos leitores não fulanizam ou agridem.

    Apaguei o seu comentário porque ele não respeita o espírito que aqui mantemos. Mais: a minha vida sexual não lhe diz respeito, e é privada, com a sua vida fará como entender, mas não aqui.

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    Bem visto! Os filmes que mencionou e vi são louça outra. Mas que a argumentação é elevada, é.

  3. Mario diz:

    Menina EV, retire tambem o seu comentario ou volte a publicar o da Olinda. O bom ou mau gosto de cada comentario fica com quem os escreve e nao vem mal ao mundo. Quanto ao post que e o que interessa e bom e tem razao no que diz.

    • Caro Mário, com todo o respeito: não. Nem retiro, nem republico. Se fizer gosto na estilística de Olinda de Freitas só tem de ler a caixa de comentários dos posts dos nossos Maria do Céu e Manuel Fonseca.

      Obrigada.

      • Mário diz:

        Eu por acaso li o comentário. A estilística é a dela, lá está. Não é a sua, tudo bem. Mas só ampliou o que não devia ter sido ampliado, na minha modestíssima opinião (se me permite opinar). Pois, também é o que estou a fazer ao prolongar esta conversa. 🙂

        • Tem razão, claro. Mas entenda: aqui descontraímos e praticamos a afabilidade mesmo quando discordamos ou fazemos provocações, e se mordemos é com dentes de Drácula de Carnaval.

          Cansei-me. A liberdade de dizer colidiu com a minha liberdade de não ter de ouvir, afinal, estou na minha sala. Mais uma vez, obrigada.

  4. cc diz:

    É a história de vida de cada um a falar mais alto, nem nos passa pela cabeça que para outros possa ser diferente do que é para nós. Nada me alicia no sexo virtual. Admito, porém, que outros possam achar que é bom, que lhes serve e que até a palavra amor possa entrar nessa equação “internauta”.
    ~CC~

  5. Traste da Silva diz:

    Ainda dá para ligar sexo & amor?

  6. Triste da Silva diz:

    Acho que sim, cara EV: qando se invoca o sabor, o cheiro, a pele, os gritos, a vida sexual, isso é sexo, virtual ou real.

    Amor é outra coisa, virtual ou real, com a vida toda, com e/ou sem sexo.

  7. 🙂 Grande texto, cara Eugénia. Sexo é pensamento, ó se não é. E tudo o que experimentamos mentalmente complementa o resto. Diria que um sem o outro, pouco são. E que ambos em conjunto, são qualquer coisa. Beijinho para si.

    • Cara Carla,

      sabe, acho que vivemos tempos interessantes, muito do que socialmente fomos, já não somos, e a expressão disso, naturalmente, está em mutação por muito que a essência se mantenha a mesma. É um tema giro que se farta. Haja tempo e vontade para nos irmos a ele.

      Um beijinho

  8. Cama, cozinha ou à sombra da web, touch, touch ou só screen, é sempre a cabeça quem mais ordena diz qualquer corpinho de grândola morena.

  9. miguel diz:

    forma enxuta de escrever…difícil para uma foice cerebral ceifar…www.lisbonpoesis.blogspot.pt

  10. nanovp diz:

    Um primeiro sopro natural, o resto paixão e amor…e sexo virtual ou não…

Os comentários estão fechados.