iii – Homens dum raio! Meninas, não digam que não avisei…

Talvez porque não gostasse de pérolas, a minha avó deu-mas. Uma a uma. Às vezes esqueço-me delas. Mas dão um jeito do caneco: fica-se sempre composto e nunca saem de moda, é só actualizar o modo de as usar. Pérola:

Nunca por nunca julgue um homem por si, mulher. São uma raça à parte. Isto para dizer o quê? As mulheres têm fama de românticas na escolha do seu amor. Os homens têm fama de fugir da escolha. Tudo mentira e falsidade. Eles são românticos, nós também, mas com muito pragmatismo. Problema? Nenhum. O problema é depois. Com o fim. Com o The End. E é nosso. Não deles.

O homem termina uma relação como quem marca o agora renovado ponto: às tantas horas do dia tal, exit. O romantismo passa-lhe como lhe passou a varicela. E não pensa mais no assunto haja ou não a senhora que se segue. Ponto. O tal ponto. Final. Missão cumprida, missão esquecida.

A mulher termina uma relação todavia não há exit porque não há ponto, há prazo. De validade. E como a das latas de conserva. Quero dizer, se a tampa não empolar, de que interessa a data marcada? Sabemos muito bem não só o que está lá dentro como se está próprio para consumo. Consequências do cabrão do pragmatismo condutor da boa escolha e do indeterminismo romântico que lhe plasmamos: quando, ó quando, é que a puta da tampa empola e a coisa rança, pergunta a minha amiga?! Quanto melhor foi a escolha feita, maior será a demora. Quem a mandou escolher tão bem? Fosse uma doidivanas… Ora, isto é gerador de grandes desigualdades sentimentais atrapalhadoras de um dia-a-dia feliz e com expectativas adequadas. Fazer o quê? Copiar. Copie tudinho por ele. Pelo bandido enlatado. Faça o que ele faz. Ou não sabe que o ser humano é mimético? É assim que aprendemos. Fixe isto, é fundamental para a sua sobrevivência. Amorosa.

E já que estamos nisto, para facilitar o diálogo inter-espécies, se um homem lhe marcar o ponto, fuja. Não! Não é atrás dele. É na direcção oposta. Fuja dele. Garanto-lhe: ele quer fugir de si. Não há nada mais clássico do que a tia Jane Austen. Vem a tia agora a propósito do quê? De Emma. Ai não lembra? Let his behaviour be the guide of your sensations. Traduzido: recicle, já sabe, não sabe? As latas vão por junto com o plástico.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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8 respostas a iii – Homens dum raio! Meninas, não digam que não avisei…

  1. Maria do Céu Brojo diz:

    Revi o “Emma” há dias. Inocente casamenteira que pelo vício penaria. E sim, pela observação do outro é aprendido o pior e o melhor dum idealizado advir.

  2. “Os homens”, segundo informações mais recentes, é já uma pequena tribo dos mares do sul… Mais um tsunami e foi uma coisinha que lhes deu.

  3. Desta vez são pérolas por todos os lados.
    😀

  4. Pedro Bidarra diz:

    Vive la diference!

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