As minhas canções preferidas de 2013

São as minhas canções preferidas de 2013. De todas as publicadas ou divulgadas ao público que chegaram aos meus ouvidos, são as que o meu gosto ditou como as melhores. Que me desculpem os amantes de jazz, música erudita, fado, world music, hip hop, tecno, trance, metal e outros géneros em que, por me faltarem conhecimentos ou não ser particularmente apreciador, não me aventuro. Que me desculpem todos os que passaram o ano a cantarolar mega êxitos de R&B: a minha consciência, à última hora, impediu a entrada na lista de algumas magníficas canções que apenas pecaram por ser excessivamente lamechas/românticas/fáceis ou mesmo foleiras, relegando-as para uma espécie de Salão dos Recusados de que me ocuparei daqui por uns dias. Que me desculpem, ainda, os nacionalistas exacerbados que, por mais que revirem a lista, não vêm lá nem um representante da música portuguesa, mesmo que cantada em inglês: pedir-vos-ei mil perdões caso me façam gostar de uma canção portuguesa editada em 2013 mais do que qualquer uma das que aqui abaixo aparecem (para consolo dos mais inconformados, direi no entanto que o Noiserv falhou por um triz a entrada na lista).

Aqui vão então, por ordem crescente (do n.º 20 ao n.º 1, com o respectivo título seguido do nome da banda que lhes deu vida), as melhores canções de 2013 e as razões que me fizeram gostar delas:

20. Pretty Boy (Young Galaxy – Peaking Lights Remix) : O melhor elogio que se pode fazer a esta canção: podia ser obra dos New Order dos tempos áureos. Tem como bónus o facto de a letra ser inspirada no magnífico livro de Patti Smith Just Kids e na sua relação com Robert Mapplethorpe.

19. Song for Zula (Phosphorescent) – Bela canção de amor. Ou melhor de desamor. A prova de que a dor de corno é capaz de produzir pérolas para os nossos ouvidos.

18. Love is Lost (David Bowie – Hello Steve Reich Mix by James Murphy for DFA) : Neste regresso de Bowie às grandes canções, mais uma demonstração do inigualável talento do produtor James Murphy para transformar em ouro tudo o que lhe chega às mãos.

17. I´m Aquarius (Metronomy) – Chegada mesmo no final do ano como prenúncio de um novo álbum a lançar em 2014, o mínimo que se pode dizer é que não desmerece nem um bocadinho da pop electrónica de luxo do álbum The English Riviera.

16. Default (Atoms for Peace) – Não houve Radiohead em 2013 mas quase: ouçam lá esta relíquia da banda paralela de Thom Yorke e digam lá se sentiram falta dos criadores de Kid A.

15. The Fall (Rhye) – Pop absolutamente irresistível, daquelas de fechar os olhos e de nos deixar levar até ao fim do mundo.

14. Fifth in the Line to the Trone (Camera Obscura) – A melhor pop delicodoce do ano. Só para almas sensíveis.

13. Ya Hey (Vampire Weekend) – Terá havido refrão mais viral em 2013? Para quem não tem pavor de passar por tótó ou betinho.

12. Royals (Lorde) – A melhor estreia de 2013 ou a melhor-canção-do-ano-feita-por-uma-miúda-de-16 anos. Quem tem o desplante de comparar esta menina neozelandesa com Miley Cyrus não sabe o que diz.

11. Pink Rabbits (The National) – Ao nível de qualquer um dos hinos da banda.

10. Step (Vampire Weekend) – Outra vez o betinho e totó do Ezra Koenig e seus amiguinhos a fazerem música como poucos.

9. Reflektor (Arcade Fire) – A canção com a melhor produção/arranjos do ano. Ou não fosse a produção, também aqui, da responsabilidade do alquimista James Murphy.

8. Retrograde (James Blake) – De outro universo, uma espécie de música erudita do mundo pop. Ainda se ouvirá daqui a 100 anos. Ou sobretudo daqui a 100 anos.

7. Full of Fire (The Knife) – Extraordinária peça de música. Da mesma família de James Blake mas ainda mais radical e complexo.

6. Can´t Fool me Now (Scout Niblett) – Mais uma maravilhosa canção produzida pela dor de corno. E que – aposto um milhão – Patti Smith quereria ter composto.

5. Get Lucky (Daft Punk) – Palavras para quê? A grande música dançável do ano, com a colaboração inestimável de Pharrell Williams e do ex-Chic Nile Rodgers. Nenhum pé, nenhuma anca lhe resiste. Apesar de ter vendido milhões, que ninguém se atreva a mandá-la para o Salão dos Recusados.

4. New Slaves (Kanye West ) – Uma pedra. Uma obra-prima absoluta para quem ainda insiste que Kanye é (só) um artista de hip hop.

3. Do I Wanna Know (Arctic Monkeys) – O melhor riff do ano, destinado a fazer parte dos compêndios de qualquer lição de guitarra elétrica.

2. You Don´t Have To (John Grant) – A grande balada do ano. E também, se não levarem a mal o epíteto, the best Lesbian & Gay song of the year. Se o caro leitor/ouvinte é homofóbico, bastará ouvi-la para deixar de o ser.

1. Afterlife (Arcade Fire) – Um clássico instantâneo, um monumento, um hino que ficará para a História. A minha preferida de 2013.

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.

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9 respostas a As minhas canções preferidas de 2013

  1. Concordo com a maioria das escolhas, caro Diogo. Só não partilho o apreço pelo Kanye West. E acrescentaria o “Ohio” da Patty Griffin com o respectivo marido, o grande Robert Plant. É country excelso.

  2. Pedro, embora seja avesso a country, mas porque te dou, a ti e ao grande Robert Plant o benefício da dúvida, vou tratar de ouvir rapidamente a Patty Griffin. Percebo a embirração com o Kanye West, eu próprio o acho supinamente irritante. Mas não tenho como fugir à evidência: este “New Slaves” é fabuloso.

  3. riVta diz:

    Bolas…nem uma a falar, a pensar, a escrever em português????? Vá lá!
    Faz lá uma listinha. Mesmo que seja de dois a um
    😀

  4. nanovp diz:

    Êh pá….envelheci anos em alguns segundos…ainda estou a descobrir Reflector….o album todo claro….

    • Bernardo, não te deixes ficar pelos Arcade. Pelo que conheço do teu gosto, não podes perder o riff de Do I Wanna Know dos Arctic Monkeys e o Can’ t Fool me Now da Scout Niblett.

  5. É que foi vinte a zero. É outro mundo.

  6. Pois é Manuel, enquanto tu recuperas velhos talentos pelo mundo fora, a mim dá-me para isto, para perder tempo com a espuma dos dias.

  7. JPC diz:

    Tudo bom, tudo muito bom, excelentíssimo. A maior parte, confesso, não conhecia e passei a conhecer. Muito, mas muito, obrigado.

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