Escrever

Se não houver rosas bastam-nos espinhos,
Se não tivermos luz bastam-nos chamas.
Umar-i Khayyam in Ruba´iyat

ESCREVER

Escreverei hoje, quinta-feira
e amanhã, sexta-feira
e sábado escreverei também

Escreverei todos os dias
e quando o silêncio me o impedir
escreverei silêncio sobre o silêncio
e ficarei quieta, de olhos fechados
até que a respiração do mundo
irrompa nos lábios
porque todo o milagre vem
por meio da palavra
e arranca do escuro
os astros pelos cabelos
e eu hei-de estar nessa explosão de luz

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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11 respostas a Escrever

  1. Mário diz:

    Lindíssimo. Um raio de luz. 🙂

  2. Silêncio em filigrana. Nunca tinha lido.

  3. António Ferrão diz:

    Mesmo no seu silêncio, saberei ler (sempre) o seu silêncio. Excelente.
    Bom ano, Eugénia

  4. Paula Santos diz:

    Que nunca se cale esse silêncio, Eugénia.
    Que se alimente das explosões de palavras que nunca se calam.

    Gostamos assim. 🙂

  5. Rita V. diz:

    O desenho das palavras

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