Ingénuo, sou eu…

Ingenuidade é pensar que vou tocar um pouco melhor depois de ouvir outra vez Jimmy Page. Ou que vou escrever de forma diferente depois de ler, pela segunda ou terceira   vez  “O Idiota” de Dostoiévski.

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Ingenuidade é pensar que vou falar melhor depois de ouvir de olhos fechados  “I Have a Dream”, de Martin Luther King.

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Ingenuidade é sonhar que vou desenhar um pouco melhor depois de ver as “Cariátides”  de Modigliani.

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Ingenuidade é pensar que todo o amor pode ser como o amor de Florentino Ariza  e de Firmina Daza no livro de Garcia Marquez.

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Ingenuidade será tudo isto.

E quanto dos nossos sonhos o são, ingénuos, e quanta  ingenuidade na ambição da vida.

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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5 respostas a Ingénuo, sou eu…

  1. Sonhemos, pois, como José Torres, o bom gigante. E que, quando deixarmos a vida, a deixemos no meio de um Verão de palmeiras e vento quente.

  2. nanovp diz:

    Calma… ainda não é tempo de deixar a vida…continuemos a sonhar….

  3. Isto é bonito, Bernardo. Somos todos um bocadinho assim.

  4. Pedro Bidarra diz:

    Sem ingenuidade não há novidade. Eles, os que citas, eram muitíssimo ingénuos. Às vezes resulta

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