Música para ouvir (e ver) às escondidas

Se prometerem que não contam a ninguém, eu digo-vos o que ando a ouvir. E se me garantirem que sabem levar um segredo para o túmulo, até vos digo o que ando a ver enquanto ouço o que ando a ouvir. Se a minha metade que se leva a sério sabe disto, garanto-vos que não descansará enquanto não fizer de mim o melómano mais chato do mundo, daqueles que abominam a simples ideia, vejam lá, de que a boa música pode ter melodia e refrão. Mas antes de deitar cá para fora a minha confissão, deixem-me fechar a porta do quarto, não vá mais alguém além de nós saber da coisa. Estão sentados? Então tomem lá: ando a ouvir um dueto da Mariah Carey, pois ando. Um dueto com um refrão que diz que ela é beautiful. E com imagens a condizer, com muita perna de salto alto e metade das mamas à vista (e, para quem liga menos a pernas e mamas, também há carro e mota de luxo). Se isto é piroso, e com certeza que é, deixem-me ser piroso pelo menos uns minutos por dia.

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.
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5 respostas a Música para ouvir (e ver) às escondidas

  1. Henrique Monteiro diz:

    Piroso… Mas às vezes o piroso é excelente. Eu, como ouço Haydn não sei o que se passa no mundo, salvo que estão todos loucos. Serás tu um deles?

    • Com certeza que o piroso pode ser excelente e até já há clássicos no ramo, como o Nel Diamond, um dos meus guilty pleasures de estimação. E és capaz de ter razão quanto à loucura. Não sei é qual das minhas metades está louca.

  2. Mario diz:

    O Diogo prestou tanta atencao ao dueto que nem referiu o nome do rapazinho que canta com a Mariah (e para que?). Mas pronto, facamos de conta que nao reparamos nas pernas dela – que nunca mais acabam, e que estivemos com atencao ao refrao. So demonstra que tem muito bom gosto. 🙂

  3. Caro Mário, desconfio que o rapazinho é o grande responsável pela eficácia desta música (para além, claro, das pernas e do bambolear de ancas da Mariah). Se ainda não o conhece, apresento-o: tem um nome bem português, Miguel, embora nado e criado em Los Angeles (filho de pai mexicano e de mãe afro-americana). E há quem o compare ao Marvin Gaye, o que abona e muito a favor da sua reputação. Enfim, não há dúvida de que, aqui, a Mariah esteve muito bem acompanhada.

  4. nanovp diz:

    Fico com as pernas Diogo, e carrego no “mute” só para me concentrar… não te importas pois não?

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