Ou me morres ou te morro

 

ClaraNunes

Eu não sou brasileiro suficiente para ouvir ou pensar em Clara Nunes. Era o que estava a dizer, ligeiro, a correr entre a noite de 17 de Janeiro e a madrugada que já é de dia 18. Só que, dois acordes de violão e um “Ah quem me dera ir-me”, o tom de voz, a forma como o pronome nos passa uma rasteira e nos cai em cima, tão possessivo, “Ah quem me dera ter-te”, e já não consigo sair-me do lamento dela, dos lábios e língua dela, tão perfeitos na dicção das palavras de Vinícius. Cantora e poeta que mal presumo: ah quem me dera amares-me e eu morar-te até morrer-te.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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8 respostas a Ou me morres ou te morro

  1. Luciana diz:

    que bonito, Manuel. Eu sou brasileirinha de crescer ao ritmo malemolente da voz de Clara quase sem perceber de tão sempre e, ainda assim, que bonito e diferente é tê-la por seus olhos – ou, ainda – ouvidos.

  2. Paula Santos diz:

    Quem me dera que a liberdade nunca fosse demais…

    Bonito, muito bonito..obrigada Manuel Fonseca, 🙂

  3. Isto é muito bonito. E como quase tudo o que é muito bonito, um bocadinho triste.

  4. nanovp diz:

    Hooked Manuel! ou como quem diz apanhado!

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