Tenho de explicar tudo, eu?!


quá-quá

My Girl, dos The Temptations, é o tipo de gal que as meninas podem e devem ser quando se encontram naquele estado interessante: o estado entre maridos/namorados/híbridos. Quando já não se tem o marido, ou namorado, ou híbrido que se tinha, e ainda não se tem o que se vai ter. Como é essa gal? C´est comme ça!, explico tudo. Sou uma santa, eu, é o que sou.

Um pretendente a namorado é uma chatice, tem delírios, se não se tem o cuidado de lhe oferecer, vá, um pouco de realidade, acaba-se com um anel de que não se gosta no dedo e depois, azarucho do caneco, é uma trabalheira para desfazer a distracção. Um rapaz sozinho não serve para quase nada. Mas, e isto, sim, é importante, serve para arranjar outro rapaz. É uma coisa que os entusiasma, a eles, sei lá. Aceite, é um facto.

O seu papel é deixar que eles se esgoelem todos enquanto a minha querida é o sunshine. Depois dá-lhes uma colherzinha de chá: acompanhe só por uns segundos com um lailailai de nada. Pouco, que a raça é perigosa, entusiasmam-se e do nada podem ficar com mais braços do que um polvo. Só com um bocadinho, inho, ínfimo de música,  linda menina, põe-nos a cantar e dançar para si porque é the month of May. Não se arme em maluca!, não prefira nenhum. Fique em estado de indecisão. É fácil: todos os rapazes têm ó tantas boas qualidades, se um é giro, o outro é simpático, paciente, um sem fim de virtudes – não é preciso contar que todos lhe provocam sono, por exemplo, ou que não ouve nada do que dizem. Ao fim do show, bate palminhas, ai que bem, muito obrigada, gostei muito, agora o bebé está cansadinho vai ó-ó, ou está descansadinho e vai trabalhar. E vai-se embora.

Não se preocupe com isso, nem com nada, os rapazes são como os patinhos do tio Popper, quando um vê que outro está na fila, lá vai ele atrás também. Porquê? Porque quem vai à frente é quem manda, é a mãe.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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15 respostas a Tenho de explicar tudo, eu?!

  1. Elas, agora, com a viola fora do saco, o namorado é uma palheta…

  2. Ó chatice! o comentário foi para moderação.

  3. Paula Santos diz:

    – E não é que a indecisão comanda a vida?
    – Não, é o sonho.
    – Mau Maria. Qual deles? Eu tenho tantos sonhos! Vês vês lá estou eu indecisa!
    – Eu disse o sonho. Não disse os sonhos. E não me chamo Maria..
    -…

    • Exactamente: fica-se indecisa até chegar o que tenha o mesmo sonho que nós, eles chamam-lhe vontade, ou objectivos ou lá o que é, e capacidade de o concretizar connosco. E entre uma coisa e outra uma menina anda feliz da vida.

  4. Mário diz:

    Estamos a partir do princípio que temos candidatos. Também há as outras, coitadas, que não têm sequer pretendentes. E depois a mulher, desconfiada por natureza, suspeita sobretudo dos giros, simpáticos e cheios de virtudes. Invariavelmente escolhe mal. E são extremamente competitivas. Para se ter saída basta ter um anel no dedo. Se alguém quis este é porque presta para alguma coisa. E rejeita o outro, bonitão mas ainda sozinho, deve ter algum problema. Ou vive com a mãe. E quando se quer conquistar uma mulher é melhor dar o desconto e atirar à melhor amiga. O espírito competitivo faz o resto. 🙂

    • Não há coitadas: só não leram o manual de instruções. E acredite: as mulheres não se conquistam, deixam-se conquistar. Ou, azarucho do caneco, apaixonam-se e estragam tudo.

      • Mário diz:

        Olhe que as há e cheias de virtudes ainda por cima. E concordo consigo, as mulheres é que decidem. Mas também há as que escolhem demais, acham que a próxima onda é a perfeita, mas é mentira, o surfista trabalha com a onda que lhe sai e da onda imperfeita faz a relação perfeita (também funcionava com o exemplo de uma faena, mas era de mau gosto :)). E depois há o síndrome do D. Quixote. Amam uma Dulcineia qualquer que nunca ninguém viu e só existe na cabeça deles (ou delas) e esquecem-se de viver. Quando acordam, já foi: são as tias, coitadas 🙂

  5. Eh lá, Eugénia, mas que grande fila de Temptations que estou a ver daqui.

  6. nanovp diz:

    Ai, o poder das mulheres….e não precisa de explicar mais Eugénia….

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