Talvez um ponto, ou algo extraordinário

Eu hei de fazer um dia uma coisa extraordinária, de tal forma extraordinária que nem eu sei exatamente o que seja.

será uma coisa deveras diferente, completamente ousada, sem dimensões (pode ser um ponto; para além de Deus é a única coisa que me ocorre sem qualquer dimensão). Ou então

será descomunalmente grande, sem fim, ilimitada, que está em todo o lado ao mesmo tempo (algo menor ainda do que um ponto, que tal como Deus, não tendo dimensões é infinito e, sendo infinito, é descomunal e, sendo tão descomunal, é ilimitado e está em todo lado).  Também pode ser

outra coisa que não me ocorre, nem nunca me ocorrerá, mas nesse caso quero que saibam que a culpa é vossa. Se eu não fizer nada de extraordinário será devido ao facto de não entenderem o extraordinário que eu hei de fazer. Talvez um ponto. Sim um ponto fica sempre bem para acabar.

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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5 respostas a Talvez um ponto, ou algo extraordinário

  1. João Lima diz:

    Para mim a “coisa extraordinária” é conseguir escrever o que escreve e como escreve. Após a leitura, sinto que tudo isso nós somos um pouco; o difícil é consegui-lo transmitir; e o Henrique Monteiro disse tantas verdades com tão poucas palavras. Parabéns. João Lima

  2. António Barreto* diz:

    Talvez o amor…genuino.

  3. llopes49 diz:

    E ponto. Nada melhor termina um trabalho de excelência.

  4. mónica diz:

    o joão lima já disse o q queria dizer, belo texto Henrique Monteiro, belo texto

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