O concerto

Fantôme b

Keith Jarrett tocou este tema, pela primeira vez, na catedral de Colónia, em Janeiro de 1975. Antecipando a globalização, o tema chegou a Angola pouco depois, instantâneo. Na tropical humidade em que vivíamos, e de beijos na boca à independência pela qual ansiávamos, este “Köln Concert” foi ouvido, sempre pelas melhores razões, com urgente transcendência, ou com igual e também urgente carnalidade, de estores corridos, luzes apagadas. Terá havido charros, álcool e mel.

É só do que me consigo lembrar. Não sei, sobretudo por causa do esmagador sucesso comercial que o LP foi, se hoje musicólogos e críticos o louvam ou lhe fazem fine bouche. Quero lá saber. Mesmo que todos o abandonem, ficarei sempre, sentadinho e devoto, na cadeira da fila mais escura da sala. O meu surdo ouvido à escuta.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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6 respostas a O concerto

  1. é «O» concerto. Bem trazido.
    😀

  2. De independência na boca de beijos e de estores corridos é todo um outro concerto.

  3. nanovp diz:

    É um dos grandes concertos…ficou na história e que se lixem os críticos e musicólogos,

  4. marie diz:

    Gosto de ouvir

  5. Rita, Eugénia, Bernardo, Marie, com tão bons ouvidos a juntarem-se, agora é que tenho a certeza de que é um grande concerto.

  6. Maria do Céu Brojo diz:

    E eu sem saber de nada… Penúria minha, riqueza sua.

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