O livro sereno e inteligente de Félix Ribeiro

 

Nação rebelde

Sou parte interessada, o livro, “Portugal, a Economia de Uma Nação Rebelde”, vai ser publicado pela Guerra e Paz, a minha editora. Se venho falar dele, usando este blog, que tenho por lúdico e íntimo, e que divido com os meus camaradas Tristes, não é só por ter ficado rendido à inteligência e ao rigor do autor, o economista José Manuel Félix Ribeiro. É também por sentir que este livro responde com verdade e com exigência às dolorosas perplexidades de muitos dos meus amigos e às dificuldades e angústias de uma legião de conhecidos.  Perplexidades e angústias que, infelizmente, não se resolvem. nem no despeito aparentemente bem intencionado de muita denúncia, nem nas jeremíadas que encharcam o nosso quotidiano. Não acredito em salvadores da pátria, mas acredito na inteligência. Precisamos de ouvir outras vozes, precisamos de mudar de paradigma. Félix Ribeiro é uma dessas vozes. O seu livro propõe outro paradigma.

Por acreditar, vou repetir o que está na apresentação da editora à Imprensa: “Muitos têm feito o diagnóstico da crise que pôs de joelhos a nação que somos. Félix Ribeiro traça os cenários para as reformas e para o crescimento.

Com base em anos de pesquisa e planeamento na área de economia industrial, em estudos prospectivos e na análise geopolítica, José Manuel Félix Ribeiro aponta as profundas mudanças de modelo que Portugal tem de fazer. As escolhas fundamentais da nossa democracia tornaram-se insustentáveis. 

O autor mostra que precisamos de uma estratégia que não nos feche na Europa, diz-nos que estratégia é essa e quais as mudanças a fazer no nosso sistema financeiro, no nosso sistema de apoio e protecção social (da saúde às pensões, passando pela educação), no nosso sistema de administração do território (a começar pelas autarquias) e no nosso sistema fiscal. 

Este não é um livro para preguiçosos, nem para fracos. «Portugal, A Economia de uma Nação Rebelde» não é um livro de soundbytes. É um livro sério que exige um leitor atento, um leitor intelectual e ideologicamente aberto ao debate e à mudança.

Félix Ribeiro aborda também a questão da nossa dívida externa, definindo princípios orientadores para o tratamento do stock dessa dívida, com soluções que podem chegar a implicar a nossa saída da União Europeia. Um ponto essencial e corajoso deste livro é o da apresentação de modelos que garantam o crescimento de Portugal na sequência da crise de endividamento.

Portugal tem de aproveitar as dinâmicas da globalização para se reposicionar no mundo e para crescer. Félix Ribeiro mostra como podemos atrair investimento e que tipo de investimento, mostra como devemos recentrar a nossa tradição industrial e como podemos tirar partido da nossa localização atlântica junto dos operadores globais. 

«Portugal, A Economia de uma Nação Rebelde» é um mapa para guiar a nossa acção. Este livro tem a coragem de dizer aos leitores: é isto o que é preciso fazer!

Subscrevo cada palavra. Mas leiam e tomem partido. O livro estará nas livrarias a partir da próxima quarta-feira.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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13 respostas a O livro sereno e inteligente de Félix Ribeiro

  1. Para não ser sempre vídeos, eis uma galeria de fotos do Arlo Guthrie. Há uma que parece ter sido tirada na Academia de Platão – talvez Platona (ou Hipátia), pois na escola do grego as protuberâncias (airbags, em inglês) seriam muito mais pequenas:

    http://www.flickr.com/photos/folkslinger/

  2. Vasco António Costa Pinto de Sá diz:

    ”Este não é um livro para pre­gui­ço­sos, nem para fra­cos. «Por­tu­gal, A Eco­no­mia de uma Nação Rebelde» não é um livro de soundby­tes. É um livro sério que exige um lei­tor atento, um lei­tor inte­lec­tual e ide­o­lo­gi­ca­mente aberto ao debate e à mudança.”
    Ora bem se é assim é um livro que não é para o povo. Como não é para o povo o autor também se está maribando para o povo. Como tal deve ser mais uma solução de merda a pensar sómente nos ricos. A única mudança possível é uma revolução que destrua toda a estrutura do estado e extermine a classe dominante e política existente em Portugal há vários séculos. Só então se pode começar a pensar em soluções. Desculpe lá estas palavras mas eu sou alguém que trabalha no duro e produz qualquer coisa de útil para a humanidade. Não sou nenhum intelectual mas estou aberto a mudanças. Violentas, óbviamente. Mas isto não é para os fracos nem para os ricos e seus lacaios.

    • Claro, Vasco. Tem toda a razão. Chegue-lhes. Tenho lá uma Kalash em casa (restos da Guerra Fria). Vendo-lha. E faço-lhe um preço para pobre. Temos de ser uns para os outros.

    • Carlos diz:

      Nao li o livro mas, em principio, aquilo que voce diz faz sentido. Mais, se todo o sistema politico nao for re-estruturado de raiz, nada feito. (nao concordo com violencia). Por exemplo:1) qualquer candidato a politico deveria ser obrigado a declarar TODOS os seus haveres, ANTES de qualquer candiidatura publica, sob pena pesada e imediata, em caso de se verificar irregularidades 2)Os deputados da Assembleia nao so’ seriam menos em numero, mas os seus ordenados tambem. Logo, ficariam eliminados os que vao para a politica a procura de construir tachos para eles e para os seus. 3)A maneira, composicao e funcao do TC necessitam de profunda revisao, ja’ que nao temos moeda nacional propria. 4) O PR passaria a ser o chefe do executivo, eliminando o cargo de PM. Ja era um bom comeco!

  3. nanovp diz:

    Mudar é sempre o mais difícil, porque nunca todos querem mudar. Mais muitos criticam para poderem ficar onde estão. Continuo a gostar de desafios sobre como posso melhorar o mundo à nossa volta, em vez de estar sempre a criticá-lo…vou ver se o leio…

  4. Tobias diz:

    Alguém tem de pensar para além das fronteiras do habitual! Vale a pena ler!

  5. jarra diz:

    Deixo uma entrevista de 2010 de Félix Ribeiro como forma de aproximação ao seu pensamento.

    http://www.publico.pt/temas/jornal/a-europa-vai-ser-comprada-pela-china-e-pelos-principes-arabes-19962145

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