Quem me acaba o resto…

Recentemente estive em Paris. Foi em Paris de França, não em Paris de outro sítio qualquer. Nessa minha estada em Paris não fiz nada de notável… Não vi um grande museu, não fui a um grande espetáculo, nem sequer estive com grandes mulheres.

Estive em Paris como se estivesse em Londres, ou em Praga (com a diferença de não falar checo). Estive em Paris como se está em Lisboa. Tudo o que vi já tinha visto. Toquei piano num cabaret – Les Trois Mailletz – onde antes uma amiga cantara árias de ópera, mas até isso já tinha feito. Vi amigos, o que também não foi a primeira vez… Entrei na Madeleine, passeei nas Tulherias e passei junto à rua de amigos que não visitei.

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Montparnasse

E, no entanto, há uma sensação estranha mesmo quando é a milésima (exagero!) vez que se vai a Paris. É a sensação de que ali começou algo que já acabou ou está a acabar. Digam-me vocês o quê…

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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10 respostas a Quem me acaba o resto…

  1. Armando Miguez diz:

    A ingenuidade da liberdade, igualdade e fraternidade ?

  2. António Barreto* diz:

    O doce conforto da amizade desinteressada, de ouvir e ser ouvido…a suave e contagiante sensação de liberdade.

  3. riVta diz:

    Mon cher Henri
    Ce qu’il a dit aux Français

    (…) Or voici que j’apprends par la presse que tous mes téléphones sont écoutés depuis maintenant huit mois. Les policiers n’ignorent donc rien de mes conversations intimes avec ma femme, mes enfants, mes proches. Les juges entendent les discussions que j’ai avec les responsables politiques français et étrangers. Les conversations avec mon avocat ont été enregistrées sans la moindre gêne. L’ensemble fait l’objet de retranscriptions écrites dont on imagine aisément qui en sont les destinataires! (…)
    Nicolas Sarkozy

  4. dizem os céus diz:

    Está relacionado com o seu avó.

  5. ERA UMA VEZ diz:

    Lembrei-me deste texto com algum tempo. Não sei se ajuda…

    ESPLANADAS DE PARIS

    Tudo tinha chegado ao fim
    arrumava despojos em caixas de cartão

    seladas
    ficariam guardadas numa cave
    onde não voltaria, não!

    E ali estavas tu mais uma vez
    décima ou décima primeira sei lá eu
    vezes sem conta
    a desarrumar a minha vida
    a pedir
    a pedir não
    a suplicar
    que deixasse tudo mais o ressentimento
    e com um resto de alento
    voasse até Paris

    Olhei a caixa de cartão lacrada
    com etiqueta a dizer passado
    a vontade a pensar presente
    e a saudade
    a gritar futuro

    Cheguei cedo
    e aconcheguei-me na palhinha da cadeira
    da nossa esplanada preferida
    retoquei o baton
    do tom
    dos toldos de Paris
    (estava bonita, eu sei)

    esperei esperei
    chegaste num sorriso delicioso e feliz

    De súbito
    surgiu alguém
    (parecia um amor antigo)
    e eu, em silêncio
    transparente…transparente
    e tu
    de novo
    ausente ausente ausente

    Terei sempre saudade desse amor que nunca perdurou
    (o Céu não quis)
    a caixa de cartão já tem bolor
    chegou outro amor outro futuro outra cidade

    e eu
    eu não voltei nunca mais
    às esplanadas de Paris

  6. Luísa Tavares de Mello diz:

    Será a democracia?

  7. O meu cabaret era o Balajo, na Bastilha

  8. juan diz:

    “Digam-me vocês o quê…”
    Só o tempo o dirá….

  9. arlete perdigão diz:

    O fim próximo da nossa já precária juventude,a sensação de , todas as que iríamos viver…e vá lá,algumas vivemos mesmo.Talvez outra cidade para começar tudo de novo.Mas Paris estará sempre lá ,para o que for preciso 🙂

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