Também lhe chamam a Primavera

 

Não é só, passava o semáforo a vermelho, ter já visto uma alva perna sem collant. Fui ao campo e as gramíneas pareciam malucas, corriam esporos nuínhos à luz do sol, árvores e arbustos estendiam ramos tentaculares a tudo o que podiam apalpar, clamores angiospérmicos a cruzar os jardins. A natureza está desvairada, poliniza-se num vai e vem obsceno. Vi um periquito que a um melro chamou franguinha. Toda a abelha vive, agora, num bordel. Também lhe chamam a Primavera. 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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10 respostas a Também lhe chamam a Primavera

  1. As gramíneas, para aí umas dez mil, são de valor cinco numa avaliação de zero a cinco nas minhas alergias. Isto não é um post indecente a pretexto da Primavera, isto, Manuel Fonseca, é uma tentativa de homicídio.

    Obrigadinha.

  2. E os carros cobertos com um pó fino e pegajoso que não sai à primeira nem á segunda!
    ah ah ah
    O Manel é um romântico. Se a Tia descobre…

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Ai o que a prima Vera faz…

  4. Jorge Silva diz:

    Manuel, o Poeta!

  5. nanovp diz:

    Um poema-à-vera….

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