Home

Até há uma imobiliária que assina, “Home is where your heart is”, mas eu não preciso de ser agente imobiliária para visitar muitas casas. Tenho-as.
O meu coração bate em várias portas e às vezes na sombra de algum Sobreiro. Sinto-me em casa naquele sitio onde só vamos na primavera, os dois de bicicleta, onde só dá para ir de bicicleta pelos caminhos velhos. Onde fazemos sempre as mesmas coisas, ano após ano e é sempre a primeira vez. A primeira primavera de todas. O riacho coberto de flores brancas, a erva verde e as flores amarelas altas pelos joelhos, os desequilíbrios da BTT, os arranhões, as flores que insisto em pôr no meu cabelo, os espirros alergias e alegrias e claro as fotos que tiramos para guardar aquele momento. Aquele sitio só nosso para sempre. É sempre assim todos os anos. Chegamos sempre atrasados para o almoço, a tua avó que já era minha tia antes de ser tua avó, continua a dizer que eu sou a mais velha e a que tem menos juízo.

Home is where your heart is. Um só coração para tantas moradas.Como é grande esse mundo. Fui a casa visitar a família. As várias famílias. E reparei, com algumas dúvidas existenciais acentuadas, que os gaiatos estão todos crescidos.

O Pi e a Biá estão mesmo grandes, 13 e 14 anos. O Pi até já está mais alto do que eu. Não tenho a menor dúvida que as sopas que lhes fiz na mágica infância, contribuíram para tão saudável crescimento. Fomos ver a Mariana à tenda. Actuava com outras Mulheres Palhaço. A Tété convida todas as primaveras várias Mulheres Palhaço a subirem ao seu castelo. E tantas gargalhadas se ouviram neste passado fim de semana ali para os lados da Costa do Castelo. Devo dizer que a Mariana está incrível. Vou criar uma nova categoria de prémios só para homenagear a Mariana:
– … e o prémio de Mulher Actriz 2014 vai para: Mariana Show!
A Tété não conseguia esconder o orgulho e a felicidade de ver os seus, de ver a família a crescer. A esperança espreita dos seus olhos. Não é difícil adivinhar que o futuro do Pi e da Biá passará pelo Chapitô. Filho de peixe sabe nadar e eles nasceram sob o signo circense e têm ascendente tribal. Foram gerados no amor e nas dificuldades do circo. E com eles, todos crescemos e nos vimos crescer. Fazemos muitos malabarismos, improvisamos um salto, equilibramos-nos na corda bamba e fazemos-nos companhia. Somos uma Companhia. E ainda bem que temos truques e números – parece que a vida, de repente é menos esperada. Mais elástica, mais ridícula, mais exagerada também.

Felizmente Deus deixou-nos criatividade para escolher família. E também nos deu um coração para bater, para bater a muitas portas.

mary
Nota: o 7ª ciclo de Mulheres Palhaço fica até ao próximo domingo dia 18 Maio no Chapitô. (6a, sab e Dom)

Sobre Sandra Barata Belo

Nasci em Lisboa no final da década de 70. Cresci em Alfama e nas férias, que não são grandes, vou sempre para o Alentejo. Sou filha única, aprendi a brincar sozinha. Gosto que me contem histórias mas também gosto de as contar. A palidez da realidade pode pôr-me sem cor, por isso nada melhor que uma boa gargalhada. Gosto de coisas simples, de pessoas generosas, gosto de arte. interpretei a grande Amália no cinema. Seguiram-se as novelas da SIC. Isso faz com que as pessoas me reconheçam na rua. Estudei no Chapitô onde aprendi todas as bases do que sei fazer hoje. Já fiz muitas coisas, dancei, fui trapezista, malabarista e clown (fica sempre melhor em inglês). Produzo, dirijo e levo a palco livros e autores que admiro. Continuo a querer fazer muitas coisas diferentes. Sou curiosa e não quero deixar de o ser.
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4 respostas a Home

  1. Gostei muito de visitar as suas casas, sobreiro incluído, e de conhecer parte da sua família.

  2. riVta diz:

    «O melhor da tua rua»
    já somos duas a gostar …

  3. Assim sim, pode morar-se num coração

  4. nanovp diz:

    E Deus criou a Mulher Palhaço também…e que bela Mulher Palhaço…

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