I once had a girl

freedom_by_emirbaykal

Liberdade, de Emirbaykal

Há neste blog uma guerra surda de gostos musicais. Há uns (ou é só um?) militantes pedrados e ferozes da causa dos Stones e há quem faça a fine bouche aos meus The Beatles.

Não me venham cá com coisas: esta preciosidade é irresistível, é deliciosa. Chama-se Norwegian Wood e escreveu-a John Lennon (vá lá com dois dedinhos de McCartney). A par da guitarra acústica de Lennon, do baixo de Paul, das maracas e tamborins de Ringo, George Harrison polvilhou-a a cítara, que é, diria, uma forma de incenso musical.

E depois a letra é um mimo. Quem é que once não teve a girl que, a bem dizer, she once had me?

Herbie Hancock, Count Basie, Milton do Nascimento, os Tangerine Dream tocaram esta Norwegian Wood e até e também a cantou Murakami num romance que lhe roubou o título

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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13 respostas a I once had a girl

  1. Carla L. diz:

    Gosto das duas versões, mas apetece-me mesmo é o George tocando a cítara.Tenho uma quedinha pelo efeito transcendental.

  2. Beatles, sem duvida.

  3. António Barreto* diz:

    Voto na 2ª versão. Outra coisa não restava a Herbie que não, qual D, Quixote, partir à descoberta e extermínio dos males do mundo.

  4. vgrilo diz:

    Manel, fui sempre Beatles incondicional até aos 40. Passei-me para o lado dos Stones desde então. Continua no entanto a ser uma sensação por vezes desconfortável. Imagino que seja assim como se de repente tivesse passado a ser do Benfica, sabes?

    And they’re always the ones having us, mas isso já nós todos sabemos.

  5. Que sonsice she had me e lailailai… é com essas e outras como essas que as levam no bico.

  6. ERA UMA VEZ diz:

    E subitamente, julgo não ser essa a ideia, mas a coisa assemelha-se a um referendo…e nós comentadores(eu pelo menos) apetece-me VOTAR, o que aliás ainda ontem fiz sem o mínimo entusiasmo.

    Beatles, sempre!!!

    Por tanto que lhes devo, porque foram a banda sonora da minha geração ou pelo menos dos menos frenéticos, porque me lembro claramente de ter visto na TV a preto e branco a reportagem da gravação ao vivo do “All you need…” numa sala cheia de gente colorida a vibrar com eles e os seus casações de generais, por ter contemplado sem pressa as velas acesas que permanecem à porta do prédio onde Lennon foi assassinado, num acto de veneração que fiz questão de fazer segunda vez antes de deixar Nova York.
    Porque continua a ser um aconchego ouvir…sobretudo quando o nosso céu se acinzenta a fazer de Liverpool.

    Também encontrei hoje aqui um nome que despertou este incorrigível “era uma vez” de que padeço.
    TANGERINE DREAM

    Verdade. Era o tempo das rádios pirata. E pediram-me para fazer um programa. Ai não, e era preciso pedir?
    E lá fui eu,louca de entusiasmo, numa de autora, tornar-me radialista com um “Castelo de Sonhos” que acompanhava o cair da tarde de Palmela sobre Lisboa.
    E eram os Tangerine Dream que abriam e fechavam o programa. Outros se seguiram e assim fiquei pela rádio três anos.

    Curiosamente,foi nessa altura que uma filhota adolescente se deixou contagiar…e a verdade é que nunca mais parou.

    Pois é Manuel, que culpa temos nós que a sua memória nos provoque tanto???

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