Retratos de Camões, de Vasco Graça Moura

retratos de Camões

Amanhã, às 18:30, no Auditório da Sociedade Portuguesa de Autores, vai ser apresentado este livro que, fresco, com cheiro, agora mesmo chegou da tipografia. Chama-se “Retrato de Camões” e escreveu-o Vasco Graça Moura. Tive a sorte de ter sido escolhido  para seu editor. Venho entregar publicamente, ao meu autor, o livro em mão.

Ainda a Guerra e Paz Editores não existia. Foi no Verão de 2001 que tive a primeira conversa editorial, chamemos-lhe assim, com Vasco Graça Moura, convidando-o para ser um dos prefaciadores de uma Bíblia de formato muito singular, uma edição da Três Sinais, editora que depois seria absorvida, em 2006, pela Guerra e Paz. A regra era a de «um livro, um prefaciador», e propus-lhe que fizesse ele a apresentação do livro do profeta Samuel, como a Agustina, a João Miguel Fernandes Jorge, a João Bénard da Costa, a Manoel de Oliveira, a Clara Ferreira Alves e a José Pacheco Pereira, entre outras personalidades, propus que prefaciassem outros livros.

De uma cortesia genuína no trato e de uma firmeza suave nas decisões, Vasco Graça Moura escreveu, para essa Bíblia, um belo e cultíssimo texto, «Samuel e a voz dos profetas», e foi depois acompanhando as edições da Guerra e Paz, em particular o que de Agustina e Jorge de Sena publicámos, comentando-as na Imprensa e fazendo-nos os reparos que entendia pertinentes.

Há um ano, um ano e meio, começámos a falar de outro livro. Foi Jorge Luis Borges que um dia disse: «Yo siempre me había imaginado el Paraíso bajo la especie de una biblioteca.» O livro que Vasco Graça Moura queria fazer, pode já não o publicar a Guerra e Paz, mas esse livro, que seria um livro canónico sobre a literatura portuguesa, há-de estar na doce penumbra dessa biblioteca ideal.

Como da lombada de um livro o olhar passa à lombada de outro, Vasco Graça Moura pôs-me há uns meses, em cima da mesa, um texto quase pronto para publicação. Era este Retratos de Camões. Era um texto que exigia acompanhamento iconográfico. Disse-lhe que sim, prometendo-lhe uma edição cuidada, um livro de pequeno formato, capa dura e com as reproduções a cores das imagens clássicas e contemporâneas que Vasco Graça Moura interpela. O que esta pequenina edição pretende ser é tudo o que a Vasco Graça Moura disse e a que ele me deu o seu acordo.

E aqui tem, meu caro Vasco Graça Moura, o pequenino livrinho de 14 x 20,5, encadernado e com as imagens a cores, para meter no confortável bolso do seu sempre elegante casaco.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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7 respostas a Retratos de Camões, de Vasco Graça Moura

  1. Que bonito que ficou. Apetece espreitá-lo por dentro. Lê-lo, claro. Creio que o seu autor estará feliz.

  2. adelia riès diz:

    Quero um 🙂 Vou pedir à minha livraria.

  3. O editor acha muito bem. E passe a palavra, Adélia.

  4. riVta diz:

    tenho a certeza que o poeta do céu espreitou

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