Troco fait-divers do showbiz por uma noite no Incógnito

Já tenho a minha dose de fait-divers com personagens do showbiz de lá de fora. Já jantei com a Diana Krall quando ainda não havia Costello por perto (e, garanto-vos, é bem menos chata a Diana quando não está a cantar sentada ao piano). Já fiz chichi com o Michael Stipe dos REM na casa de banho do Lux (não, descansem, não olhei para baixo). Já discuti futebol e fado com o Rob Garza dos Thievery Corporation (quando ele passeava anónimo pelo Lux). Já testemunhei uma violenta trip de um Pete Doherty (sim, o dos Libertines, o homem que durante anos e anos teve a deslumbrante Kate Moss pelo beicinho) que só eu reconheci (ainda e sempre no Lux). Já presenciei, ali pelo Leblon, na mesa ao lado da minha, uma caricata cena conjugal do Caetano Veloso que acabou com um chope despejado na cara do próprio pela ex-mulher, perante o olhar atónito do amigo Djavan. Tudo cenas e situações sem importância alguma, que o acaso ditou e de que, sem desfazer na simpatia da Diana e do Rob, não me orgulho particularmente. A verdade é que trocava tudo isso, que não é nada, por uma noite com o Win Butler (sim, o dos Arcade Fire) no Incógnito a passar música até às seis da manhã para algumas dezenas de pessoas. Eu, que gosto de passar pelo Incógnito de vez em quando (para quem não saiba, no Incógnito ouve-se a melhor música da noite de Lisboa), logo para azar não estava lá, na sexta-feira passada (véspera do concerto dos Arcade no Rock in Rio), quando o fenómeno aconteceu. Segundo consta, Win esteve imparável e acabou a noite em puro delírio a dançar no meio da pista com todos os presentes ao som dos próprios Arcade. O homem não se cansa de cantar que dá tudo para ser uma normal person e achou por bem, para quem tivesse dúvidas, dar provas disso no local mais improvável, uma cave que não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego. Não há direito que um gajo, que até tem as suas fontes aqui e ali, não seja avisado a tempo de uma coisa destas.

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

4 respostas a Troco fait-divers do showbiz por uma noite no Incógnito

  1. riVta diz:

    Next stop! Parece-me uma excelente ideia da gruta para a cave…
    🙂

    • Diogo Leote diz:

      Rita, para isso temos de convencer sua eminência cardinalícia, que tem outros planos para depois da gruta…

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Diogo, vou contar isto à minha filha que se vai roer de inveja. Já um amigo meu se cruzou com os Stones a jantar no Salsa e Coentros.

  3. Diogo Leote diz:

    E já sabes o que é que o Jagger bebeu num dos jantares de Lisboa? Um vinho produzido por um sobrinho aqui de casa. Que, por sinal, tem posters do Mick a forrar as paredes do quarto….

Os comentários estão fechados.