O Último dos Ramones

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Acabaram-se os Ramones. Morreu Tommy, o último da tribo. Foram a minha primeira banda, o meu primeiro disco e a coluna sonora da primeira e última festa dançante que organizei em minha casa – para incredulidade e horror das minhas colegas de classe que decidiram não dançar, sabe-se lá porquê. Em Setembro de 1980, os Ramones vieram a Lisboa. Um amigo lá da rua dos meus primos dos Olivais foi ver o concerto. Conseguiu tocar no joelho ossudo do DeeDee e apanhou com uma chuveirada de suor vinda das profundezas da cabeleira unta do Joey. Creio que não se voltou a lavar durante toda a década de 80. Nessa noite diz-se também que tocou, pela primeira vez, nas mamas da Cristina, uma miúda lá da rua de quem todos andavam atrás. Com o cotovelo. Um sucesso. Mas isso são tudo mitos urbanos. A verdade é que eu fiquei em casa a ouvir sem ver. Provávelmente isto:

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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7 respostas a O Último dos Ramones

  1. Perry diz:

    Vasco conseguiate com que viaja-se no tempo não sei se na musica ou nas mamas com o cotovelo. Muito bom!

  2. Os nossos ricos Ramones… ou será que deveria dizer o princípio da nossa rica adolescência?

  3. riVta diz:

    já sou de outro ciclo de Saturno

  4. Vasco, foi pelos Ramones que me comecei a fazer homenzinho. Enquanto durou o seu prolongado estado de graça, não havia programa melhor na minha adolescência do que ouvir Ramones, em bando com outros devotos, e soletrar, uma a uma, as pérolas do Rocket to Russia e do The End of The Century. E, claro, também quis ter uma Sheena só para mim.

  5. Um pequeno percalço, que torna um pouco mais difícil a sua reunião para gravar mais um disco (se ainda não se perdeu a esperança na reunificação do Beatles que vêm de mais longe no tempo).

  6. Maria do Céu Brojo diz:

    Nem recordo tal nome! Devia estar além do tempo deles.

  7. Pedro Bidarra diz:

    Eu fui ver o concerto 🙂

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