Junto aos rios da Babilónia

“Sentados junto aos rios da Babilónia chorámos recordando-nos de Sião” (Salmo 136:1)

Junto aos rios da Babilónia
Há assassinos à solta
Há fé em que o sangue salva
Há louvores à morte bárbara.
Junto aos rios da Babilónia
As prostitutas têm armas
E cimitarras com que cortam
Cabeças aos inocentes.
Junto aos rios da Babilónia
Já ninguém chora sequer
Ninguém recorda Sião
Que perdeu a fé na paz.
Junto aos rios da Babilónia
Não há terra prometida
Só há morte, não há vida

Junto aos rios da Babilónia
Perdeu-se a humanidade

 

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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2 respostas a Junto aos rios da Babilónia

  1. Brito da Selva diz:

    O que se me o’corre:

    When the wicked
    Carried us away in captivity
    Requiering of us a song
    Now how shall we sing the lord’s song in a strange land

    https://www.youtube.com/watch?v=vYK9iCRb7S4

  2. Sabão II diz:

    O que produzem não é somenos ao que os europeus fizeram uns aos outros nas duas grandes guerras do séc. XX e que não é 100% seguro que não volte a repetir-se. No fim, uma mão lava a outra e, há sempre que fique com a carne (como no lendário saque da Babilónia) e os outros com os ossos.

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