À la Marcel

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Se me perguntarem por que razão ele disse isso, eu posso responder com duas hipóteses – a primeira e a segunda. Sendo que a segunda é um bocadinho mazinha, embora não muito – repare que eu sou amigo dele há 30 anos (cof, cof) e até já arranjei alguns incómodos por puxar por assuntos que ele considera pouco prementes, ou pouco agradáveis.

A primeira é mais benéfica. É que ele pensa aquilo e pronto! Claro que você pode perguntar: Mas como é que alguém pensa uma coisa dessas? Eu não sei responder, mas justamente por haver liberdade de pensamento e por as pessoas serem diferentes é que tanta gente pensa de forma diferente e não será ele o único a pensar assim. O homem acorda de manhã e entende que os problemas se resolvem daquela maneira. Está no seu direito.

A segunda, a tal que eu disse que era um pouco mais mazinha é que ele não pensa assim, mas quer fazer-nos pensar que pensa assim. Claro que você pode perguntar-me: Mas qual é o intuito de ele querer que nós pensemos que ele pensa algo que, na verdade, não pensa?. Bem (cof, cof) eu na estou na cabeça dele, mas assim numa perspetiva – digamos  – menos ortodoxa direi que ele o faz para depois surgir com uma solução óbvia, mas que a todos pareça inesperada e nova porque, ao pensarmos que ele pensa daquela maneira, já todos – instintivamente, porque todos somos assim – já todos tínhamos abandonado a ideia mais óbvia. E eis como de um nada se faz um facto político em que ele marca pontos.

Claro, como eu acho que a solução é outra, não posso ficar indiferente seja qual for a solução, mas, como sabe, a minha opinião dou-a, em primeiro lugar, no Conselho de Estado (…)

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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Uma resposta a À la Marcel

  1. nanovp diz:

    1 a zero ….já ganhou.

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