Bacall

Que apelido. Uma festa dionisíaca, e um irresistível chamamento. Morreu o assobio, o silêncio masculino face à superioridade feminina, o galope verbal entre dois bourbons, o fumo magicando duas noites de foda, o amor sem pinups no quarto da adolescência, a voz de levar para casa e nunca mais sair à rua porque não é preciso, o corpo esguio de assistir sentado, a olhá-la enquanto desfaz as portadas com um gesto de casual elipse, pronunciando verdades impronunciáveis. Morreu uma das mulheres que, evidentemente, nunca morre.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.

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4 respostas a Bacall

  1. Paula Santos diz:

    Há pessoas que definitivamente nunca morrem.

    Agosto é um mês de partidas. 🙁

  2. Júlia diz:

    e aquele voz, senhores!! aquela voz rouca que deixa qualquer corpo em sentido 🙂

  3. É mesmo, Paula. A voz é a primeira coisa que se vê, antes de se ver o que quer que seja, não é, Júlia?

    • Júlia diz:

      (lembro-me de quando era adolescente e ouvia alguns locutores de radio e suspirava 🙂 idealizava-os, pela voz. não será preciso dizer a tamanha desilusão, sempre que mais tarde via algum na tv 🙂

      a voz é um poderosíssimo afrodisíaco. em tempos de amores e (sexo) virtuais, a voz torna-se por si só a identidade. (lembrei-me do filme Her, com a voz sexy da Scarlett 🙂

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