Ando Nisto

 

 

A reler Rushdie, Fúria. Acho que estava a precisar de um pouco do surrealismo fantástico Américo-Indiano…

O Rushdie da Nova York exuberante, yuppie, exagerada, a viver no fio da navalha…

 ” a cidade fervilhava de dinheiro. Rendas e bens imóveis nunca tinham sido tão elevados, e, na indústria do vestuário, havia a convicção generalizada de que a moda nunca estivera tão na moda. O futuro era um casino, e toda a gente jogava, e toda a gente esperava ganhar.”
 
 
200px-FuryRushdie
 
 
 

Pois, ainda não se sonhava com a queda…

 

A rever Satyajit Ray no Nimas. Ou a ver pela primeira vez no grande ecrã. Filmagem sumptuosa em preto e branco,  enquadramento exímio, pensado ao milímetro. O movimento de câmara que fala e descreve a narrativa, e revela o espaço. Actores que se transformam para a câmara, em planos fixos, onde se sente o cheiro e o suor de uma realidade que se confunde com a ficção.

nayak-april-23

A ouvir Winterlong, porque parece que o inverno tomou conta do Outono sem aviso e sem pudor…

 

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
Esta entrada foi publicada em Ando Nisto. ligação permanente.

8 respostas a Ando Nisto

  1. EV diz:

    Se não fosse o Neil Young, Bernardo, passava já aqui uma vergonha do piorio com as dívidas que tenho ao Rush­die e ao Satya­jit Ray…

    • nanovp diz:

      Vergonha e dívidas não são para aqui chamadas Eugénia!!! Se tiver tempo dê um salto ao Nimas e cobra pelo menos uma….!

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Dos filmes do Ray, que estão no Nimas, o “Charulata” fez as minhas delícias num festival de Tróia há muitos, muitos anos…

  3. nanovp diz:

    Esse ainda não vi…Começo a gostar dos anos sessenta dele, e esse é de 64 , por isso a ver!!

  4. O doutor – como quase sempre – tem razão, Bernardo: o “Charulata” é uma categoria; mas ninguém me troca o “The Music Lesson” (anda para aí, algures, em DVD britânico). E por acaso revi há pouco o “Heart of Gold”, do Young pelo Demme.

  5. nanovp diz:

    Pois a malta acredita…claro…Ainda vou ver se apanho no Nimas…as cópias estão muito boas. Tenho o “Heart of Gold”, embora a fase mais “country” é a que gosto menos do Young…

Os comentários estão fechados.