I dare u: diga lá…

Meus queridos Tristes, e Tristes leitores igualmente queridos,

desafio-vos a dizer aqui, e mostrar se possível, aquilo que anda sempre convosco – não vale responder telemóvel, jornais e revistas. Aqueles objectos que reconheceríamos logo como seus e nos fariam soltar um exclamativo, isto só pode ser, vá, da nossa Tê Larê!, caso encontrássemos a sua carteira, o seu casaco, enfim, o diabo a quatro onde os carrega.

Há três ou quatro coisas sem as quais não saio de casa:

1. Óculos escuros. Grandes. Sempre. Comecei a usá-los aos quase dezassete anos e nunca mais os tirei.

2. Leque – sim, sei o que está a pensar, incrédulo, mas a verdade é que uso leque, sempre usei, tirando na rua, naqueles pouquinhos anos adolescentes, dos quatorze aos dezasseis, mais coisa menos coisa. Nessa altura só usava em casa porque ninguém da minha idade usava na rua. Tenho um em cada carteira e tenho-os de todas as cores.

3. Toalhetes e gel desinfectante. Há-de ser um complexo de Pilatos…

4. Nozes e/ou amêndoas. Porque gosto de comer e não posso ficar esganada senão sou bem capaz de comer uma pizza cheia de queijo e belo salame com pimenta e saberá Deus mais o quê… um éclair de baunilha, um senhor gelado. Sou capaz. Mas não como. E uma garrafa de água: Vitalis ou Luso.

Juro a mim própria não esquecer de papel e caneta. Mas é mentira, não lembro. Ando sempre a comprar cadernos e canetas.

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Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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22 respostas a I dare u: diga lá…

  1. Mas que lindo leque.
    Eu, não falando de chaves, carteira e telemóvel, só há uma coisa estranha que trago sempre num dos bolsos: um paninho para limpar os óculos.

  2. Beatriz Santos diz:

    sou uma mulher pouco mulher quanto a objectos; uso os mesmos que o Manuel e limpo os óculos onde calha ou sigo a ver tudo nublado.

    • EV diz:

      É prática. Faz bem. Às vezes olho para a minha carteira e nem acredito… Já me ri com o “sigo a ver tudo nublado”. Acontece-me todos os dias. Não percebo como raio se sujam tantos os óculos.

  3. A. diz:

    Querida Eugénia, como o Manuel, também achei lindo o seu leque. 😀
    Bem, o que sempre carrego comigo é uma carta de amor que escrevi há alguns meses atrás, mas sem destinatário… E claro, lapiseira e papel, porque sempre há o que escrever.
    Um abraço!
    🙂

  4. Divertido. Um leque ‘rojo’ dá nas vistas. Não pode abanicar-se discretamente.
    🙂

  5. Sergio diz:

    Um pobre leitor Triste que aceita o desafio lançado.
    É difícil responder o que me acompanha no dia-a-dia. Amiúde pergunto-me se até a cabeça está cá. Mas posso dizer que é a pobreza que vai alimentando o meu quotidiano. Roupa – que os anos sessenta já não são para aqui chamados – óculos de sol e tabaco. A característica que me define, perante os diálogos na esplanada da mesa de café, ensolarada, como uma tarde igual a esta, é que o cigarro no canto da boca é a minha marca.
    Infelizmente – acho eu – não imito os ilustres escritores Tristes que têm o prazer de me fazer companhia na solitária noite e não ando aí de cadernos, livros e canetas. Contudo, existem excepções. O Trabalho. E aí, por vezes, vejo-me a escrever ao ar livre num caderno completamente rasurado pelas ideias que levemente me vem à cabeça. É claro, quando ela sai comigo para a rua.
    Livros? Já levei clássicos para a saciar a hora do almoço e fui acusado de intelectual. Vejam lá, e nem me ouviram falar…

    • EV diz:

      Com um cigarro na boca, ao sol, na esplanada, até a cabeça pode ficar noutro sítio que ali já está bom quase demais.

  6. Teresa Conceição diz:

    Eugénia, que desafio tão giro. Quase tanto como o seu leque.
    Já fui lá acima botar umas coisas na mala 🙂

  7. nanovp diz:

    E que bela companhia Eugénia…

  8. Mario diz:

    Não levo nada de especial, mas o vizinho leva o cao e o gato a rua ao mesmo tempo e trata-os por igual. E e ve-lo rua abaixo com os bichos pelas pernas, o cao como gato e o gato como cao…weird

  9. Carlos Ribas Monteiro diz:

    Adoro a ideia de entreabrir essas malas de mão: é como desvendar uma parte, para mim misteriosa, do imenso universo feminino. E é um mundo fascinante, não há duas iguais.

    • EV diz:

      Nunca me passou pela cabeça que uma carteira tivesse qualquer interesse para o sexo oposto… Que coisa gira.

  10. Ai tinha posto tanta coisa gira e foi-se a net abaixo. Coños! Ou ainda não são espa­nhois, estes da Vofa­fone? Uma pes­soa não acompanha.Então digo só: uma pala para o olho feita em veludo preto que foi a pri­meira más­cara de Hal­loween da minha vida e estou em crer que a ultima tam­bém. Mas se não gos­tei da fes­tança gos­tei da pala e se calhar vou pô-la de vez em quando, mesmo fora de época.

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