Incompreensão

 

 

“Le Rêve” (1910) - Museu de Arte Moderna de Nova York. Autor: Henri Rousseau, (21 de maio de1844, Laval/ 2 de setembro de 1910, Paris). Estilo: arte naïf. Género: alegórico. Contemporâneo de Picasso, Wassily Kandinsky, William-Adolphe Bouguereau e de Jean-Léon Gérôme, entre outros.

“Le Rêve” (1910) – Museu de Arte Moderna de Nova York. H.Rousseau

-Que grande treta!

-De que é que estás a falar, deste quadro?

-De tudo porra! Parece que não vês…Tudo! O mundo é uma treta, uma merda, uma ficção inventada por uns gajos pouco sérios que têm um gosto horrível e uma imaginação atroz…

-Mas por que é que estás a falar disso agora?

-Não percebes, o problema é que tudo isto é uma treta, nada faz sentido…

-Ouve, não precisas de gritar, estamos num Museu, não vês?

– Vou é fumar um cigarro…preciso de ar…

-Está bem, pronto! Não digo mais nada… não percebo é porque é que te zangaste tanto com o Rousseau, acho que ele não tem culpa nenhuma…E lá imaginação tem ele…

– Uma grande aldrabice é o que é…E quem é que é esse Rousseau afinal?

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência.

Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra.

Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data.

A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach.

De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro.
A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.

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6 respostas a Incompreensão

  1. joshua diz:

    Cada vez mais me convenço que criar diálogos é de uma estimulação brutal. Tenho criado muitos. Só não sei se tudo não passa de uma fase. Não me parece.

    • nanovp diz:

      E uma arte penso eu…não estou a falar de mim claro mas dos grandes que os constroem naturais como se tivessem sempre existido…por isso não deixe passar essa fase…

  2. riVta diz:

    eh eh eh

  3. EV diz:

    Boa pergunta! Já me ri.

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