Pouca Coisa…a Tiracolo

Não será nada que a imaginação da Eugénia não tenha ainda imaginado…

É antes um bocado de tudo que parece ser um pouco de nada. Hábitos duros de largar, irracionais. Tão simples como o gesto de abrir a porta de casa e sair para a rua.

Óculos. Escuros e de ver, os segundos estão velhos e soltos, passam a vida a cair…Mas saio sempre com eles, e ainda um par de suplentes, que os substituem, ou não fosse o medo de deixar de ver o mundo.

Carteira. Sempre. Há que comprar a vida. Sempre que possível sem ser no bolso das calças. O casaco sempre dá jeito.  Quero dizer, para a carteira dá mesmo muito jeito…

Mochila ou mala, mas tem de ser a tiracolo, não gosto de ter uma mão ocupada com as orelhas da mala…lá dentro um livro que anda para a frente e para trás comigo, e às vezes fica dentro da mala em casa, para que outro se leia na sala ou na cama…

os blocos

os blocos

Bloco(s). Depende dos formatos e das colecções à venda, compro sempre os mesmos, para fazer uma estante uniformizada, mas acabo sempre com muitas excepções…médios, grandes e pequenos. Pretos de preferência, mas agora também os há castanhos. Cuidado com as interrupções da produção, é melhor apetrechar a prateleira com suplentes. Mas sempre, atenção sempre, de capa dura. Sou incompatível com capas moles que se moldam às pernas, mãos ou joelhos…

Palhetas na carteira, dão jeito quando menos se espera…

Canetas e lápis, numa bolsa. Tanto era o caos de andarem à solta na mala ou na mochila…lápis moles, muito moles, 4b para cima, e de traço gordo…Sublinha-se os livros com eles, desenha-se, escreve-se.

lápis e canetas

lápis e canetas

Canetas esferográficas “bic,” ou “ball point” quase sempre pretas, só em desespero o azul…Desaparecem e aparecem por decisão própria, autónomas que são…

E felizmente que não é dia de por a mochila na máquina de lavar…

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência.

Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra.

Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data.

A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach.

De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro.
A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.

Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

8 respostas a Pouca Coisa…a Tiracolo

  1. riVta diz:

    e como desaparecem. azul é que nunca!
    😀

  2. Ora bem, que bonito me parece o interior da mochila de um arquitecto. E os blocos de capa rija, boa ideia.

  3. EV diz:

    Sabe que também me encanita quando “descontinuam” o raio dos blocos? Achei graça aos montes de lápis e canetas autónomos, muito bem caçada essa.

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    Agora me lembro, olhando para ti, Bernardo, que também usei uma sacola a tiracolo nos tempos de Filosofia… Bela descrição.

Os comentários estão fechados.