Uma questão de mamas e beleza

Pink bra

MAMAS E SOUTIEN

Já contei que gosto de mulheres – não, não é dessa maneira. E de maminhas também gosto. Pequeninas, grandes ou à medida da mão certa. Daquelas a apontar para o céu juvenil e das que cheias cedem à gravidade gosto também. Redondinhas ou em bico como em chinês.

No entanto, por ser mulher, não as vejo com aquele olhar dos homens. Que olhar? Aquele olhar que têm e nos faz pensar, pobres diabos, foram desmamados cedo demais, à boca da fome – ou pensava que era só a Shakira que tinha una fijación oral?

Hoje vi uma miúda. Não era gira nem estava bem cuidada nem tinha roupas que a favorecessem minimamente. Mas tinha aquela coisa tenra e terrenosa dos vinte anos quase trinta que cuidado algum supera: a natureza nas veias. Ela estava distraída ao telemóvel então pude vê-la com tempo.

Tinha um grandessíssimo par de boas mamas. Ela. Eu tenho um defeito terrível, faço julgamentos com e sem justiça. E não gosto de os fazer, nem a uns nem a outros. Sei lá eu por onde entrará a ruína de um homem, se pelo seu imenso sucesso se pelo seu enorme fracasso… e até esse dia chegar, o da sabedoria, julgo, e a seguir tomo noto do julgamento para o desfazer. Educo-me.

Aquelas mamas estavam presas dentro do soutien errado. Não é preciso trabalhar numa secção de roupa interior para perceber que as mulheres não sabem que raio de soutien usar.

Debaixo da t-shirt branca de mau algodão e muito uso, escapavam de aflição e falta de ar uns refegos valentes acima da cintura. E o cós e o fecho de colchetes subiam pelas costas. Número pequeno demais. E as próprias mamas quase no pescoço, que sufoco, em meia copa c onde uma copa d inteira deixaria o corpo feliz.

Depois arrependi-me logo da avaliação. Há qualquer coisa bela na carne que foge à roupa, no vinco marcado. Bela como a cabeleira de Maria Madalena de procissão que ela tinha, porém viva, inteira, forte: um véu de pudor na nudez.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
Esta entrada foi publicada em Post livre com as tags . ligação permanente.

15 respostas a Uma questão de mamas e beleza

  1. Carlos Monteiro diz:

    Chapeau!

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Que sorte que tiveram as mamas da menina, serem tão bem vistas, tão bem julgadas.

    • EV diz:

      Entrevistas que a menina estava compostinha. A tshirt era de decote redondo, mas o algodão muito fino, quase transparente – sorte tive eu. Merci.

  3. riVta diz:

    depois desta descrição nem imagino a tradução …
    😀

  4. Beatriz Santos diz:

    Por acaso às vezes também penso que é uma sorte haver paisagem. Oh, a juventude é consciente da sua beleza, utiliza-a, provoca-a e pensa que a faz crescer. Mas aquele hiato entre mama esquerda e direita é fulgurante e elas não sabem. Entrevista num decote é tensão de pele em rara beleza. Nas mulheres jovens, mais. Esta semana tive uma lição sobre copas…até morrer se aprende. E a morrer também:(
    A garota em causa pode ser como eu, gostar de assim andar, ter engordado e querer gastar o que tem; não admirar a abundância das glândulas mamárias…coisas assim:))

  5. Mário diz:

    Se calhar acontece-lhe como me acontece a mim. Entrados nos entas começa a apreciar-se a frescura da juventude. Tudo merece um olhar atento. Dos pés à cabeça. Dizem que nos homens é a crise de meia-idade. Nas mulheres não sei. Que idade tem invejosa bruxa-má? Deve andar nos entas…

    • EV diz:

      Penso que não sou invejosa – agora bruxa e má já não juro não ser: a beleza dá-me prazer, a da juventude, a da natureza até a beleza que há no feio. No velho. Sofro de uma paixão crónica pela vida. Já era assim em pequenina.

      Tenho 46 anos. Ou 45, não sei. Vou ver.

      • Mario diz:

        Faco 42 em Dezembro e estou a passar de Principe a sapo

        • EV diz:

          Isso não tem que ver com a idade… Ou arranja uma princesa e fica um príncipe feliz ou não arranja fica a coachar feliz em liberdade. Ambas as opções são interessantes.

  6. Antonio Augusto Nadais diz:

    Oh! Esta bela descrição dispensa tradução…

  7. nanovp diz:

    Culpa do soutien…ou não …

Os comentários estão fechados.