Ando Nisto: Bollywood de trazer por casa, baby…

BOLLYWOOD DE TRAZER POR CASA, BABY…

Não é exactamente um segredo bem guardado que, quando era pequenina, adorava musicais. Não queria apenas ser Cyd Charisse a dançar no jardim com Fred Astaire, ou soviética e de gola alta numa estética que jamais me passou de moda cheia do vigor e humor dos Red Blues, e a minha avó imperativa páre! vendaval… Nem queria ser apenas a Eliza Doolittle a ameaçar o seu rico Henry Higgins, just you wait, ou a Leslie Caron nas minhas primeiras pontas chegadinhas por correio de Londres para sonhar melhor com Um Americano em Paris. Não.

Ia ver filmes indianos. Todos. Eram para maiores de 6 porque não havia beijos nem gente nua. Não se beijava em Bollywood ainda que, de repente, aparecessem bebés. Na verdade eram muito exemplares e conformes à catequese aqueles filmes. Havia de passar-se tudo a toque de Espírito Santo. E eram mesmo muito shakesperianos, inimizades familiares, castas, vinganças, amantes contrariados a morrer de amor. Até porque já tinha lido Shakespeare em banda desenhada, percebia a potes de Shakespeare. O grande problema não era o guião apesar de a minha avó dizer ao meu avô antes de ele me ir deixar à porta do cinema ao lado de casa: tudo o que essa miúda precisa é de argumentos. O grande problema eram os argumentos não escritos: a overdose colorida, rebrilhante, enfeitada, adornada de jóias dos pés à cabeça e, enfim, a vida dançada a tempo inteiro.

Que posso dizer em minha defesa? Nada. A minha avó estava certa.

Já não vejo filmes indianos. Mas a dança, Bollywood, é agora um género que pegou de moda para minha grande sorte. E aquela linguagem corporal decomposta em sílabas até eu a aprendo tantos anos depois.

Há quem caminhe em direcção à velhice, e há quem ande sobre a linha da infância. Que posso dizer em minha defesa? Gosto de dançar. Não se consegue ser triste enquanto se dança e tenho o vício da alegria.

Resumindo: ando nisto, na escola outra vez, mas as professoras são Janani Chalaka, da Bombay Jam, e Madhuri Dixit, super-estrela de cinema.

Se não tiver paciência passe logo para os 03:25

 

Esta é difícil… tem muitas coisinhas com as mãos, é preciso fazer carinhas e olhinhos, sai-me tudo mal mas rio muito. Subscrevi o canal da menina Madhuri, claro.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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10 respostas a Ando Nisto: Bollywood de trazer por casa, baby…

  1. Beatriz Santos diz:

    bom…a menina Madhuri é um bocadinho mázinha, como é que se aguenta o video completo? Mas o primeiro video é engraçado, dá vontade de experimentar, só que as garotas não descansam nem um bocadinho.
    Boa sorte na escola de dança indiana.

    • EV diz:

      Aguenta-se bem: farto-me de rir de mim, comigo mesma. Não é para ser perfeito. É um bocadinho de cardio-fun!

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Com sorte, mexo os dedos. Mas gostei muito dos seus Shakespeares sabidos a potes e em bd.

  3. Pedro Bidarra diz:

    Ter o vício da alegria… também o tinha. Depois confundi-o com o vício do prazer o que, inevitavelmente, levou ao vício da tristeza. “A alegria é a coisa mais importante da vida” escreveu Almada, seriamente. Belo vício, o da alegria.

    • EV diz:

      Tem razão, Pedro, a alegria é coisa que se tem, faz parte de nós, o prazer temos de no-lo dar, bicho perigoso fora da trela.

  4. riVta diz:

    mas que coisa tão engraçada. cinco minutos disto e eu não preciso de saladas nem de bolachas de arroz.

    • EV diz:

      Saladinhas 4ever! Mas bolachas de arroz… ó coisa deprimente: estou capaz de fazer um tabuleiro de bolachinhas de manteiga!

  5. nanovp diz:

    Fiquei cansado só de olhar…era bom que tivesse perdido algumas calorias…Agora a verdade é esta até podemos ter Bollywood em casa a um toque do dedo…

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