O aniversário em casa da Tia

corrida

Domingo. Domingo de aniversário.

Celebramos.

Temos fôlegos para soprar as velas, luzinhas acesas, estrelas por cumprir. Na falta de sonhos agarramo-nos uns aos outros e os outros são tanto.

Nesta casa que de triste não tem nada, a não ser a poesia do nome – e a poesia arrasta sempre uma leve poeira de tristeza consigo, vem acompanhada de passado roubado e futuro por não ser vivido, nesta casa da nossa Tia – existo e sou. feliz. contemplativa. curiosa. aprendiz. arrisco e publico.

A verdade Tia, é que não tenho aparecido muito. As desculpas são mais que muitas, mas são verdadeiras e sentidas. Tenho saudades dos primos e sobretudo de me ver quentinha à lareira em sua casa, ouvir as tantas histórias que tem para contar. Já que eu de repente, sequei – esta sua sobrinha foi arrastada pela burocracia da vida e anda mesmo muito chata e histórias, só mesmo as do mercado regulado da EDP e a confusão que fizeram com o Gás – imagine Tia, que a EDP disse ao Gás que eu já não vivia na minha casa, então os senhores do Gás cortaram-me o Gás. Em vez de me distrair a contar-lhe outras coisas bonitas da minha vida, como por exemplo a relação com o Stefan Zweig  e o que vamos fazer juntos no próximo ano,  passo o tempo a ligar para o 808 505 505 que só me dá musica, má, e gasta euros. Mas fique descansada Tia, a minha vizinha do 3º esquerdo trabalha na administração da EDP e resolveu-me o problema. Já tomo banhos quentinhos de novo.

E hoje é Domingo, dia 14 de Dezembro,  dia de celebrarmos e de dizermos que gostamos uns dos outros e que a nossa vida é muito melhor em casa da Tia , com os primos e com todas as tristeza que só nos dão alegrias. Com as poesias, os filmes, as peças, os livros, as pinturas e as tantas músicas que ainda iremos dançar.

Como disse a Rita, 3 anos passaram a correr. Eu só estou há 2. Vou correr para vos apanhar: aos Domingos, corro sempre. Ainda bem que já tenho Gás.

Sobre Sandra Barata Belo

Nasci em Lisboa no final da década de 70. Cresci em Alfama e nas férias, que não são grandes, vou sempre para o Alentejo. Sou filha única, aprendi a brincar sozinha. Gosto que me contem histórias mas também gosto de as contar. A palidez da realidade pode pôr-me sem cor, por isso nada melhor que uma boa gargalhada. Gosto de coisas simples, de pessoas generosas, gosto de arte. interpretei a grande Amália no cinema. Seguiram-se as novelas da SIC. Isso faz com que as pessoas me reconheçam na rua. Estudei no Chapitô onde aprendi todas as bases do que sei fazer hoje. Já fiz muitas coisas, dancei, fui trapezista, malabarista e clown (fica sempre melhor em inglês). Produzo, dirijo e levo a palco livros e autores que admiro. Continuo a querer fazer muitas coisas diferentes. Sou curiosa e não quero deixar de o ser.
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6 respostas a O aniversário em casa da Tia

  1. Beatriz Santos diz:

    Ora eu já não tenho pernas para correr tanto que só cheguei há uns dias, e aos domingos não corro porque é o dia do senhor e o senhor quer-me pacata e com pouco serviço e é assim. Portanto, aguentem-se. Mesmo que a Tia que não sei quem é e há-de ser uma santa senhora, bata a bota. Pois, que sendo Tia irá mais cedo, e antes ela que nós, mas que conversa (a minha) mais parva para um aniversário. As minhas desculpas. Vou ali. Mas vou triste, a fazer pendant.

  2. Teresa Conceição diz:

    Parabéns à Tia e a nós, querida Sandra. Sempre a todo o gás 🙂

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Dá-lhes gás, Sandra, dá-lhes gás. E vê lá se apareces cheirosa, de banhinho tomado, que estamos para aqui todos à tua espera.

  4. Mario diz:

    No pain, no gain, nunca os banhinhos souberam tao bem depois desta privaçao 🙂

  5. riVta diz:

    🙂 a todo o vapor

  6. nanovp diz:

    Toca a correr Sandra, que a vida parada não existe…com ou sem gás…

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