Ando para dizer isto desde 2014

capa ler

Já ando para dizer isto desde 2014. São duas coisas boas e as coisas boas não foram propriamente uma fartura no ano já falecido. Mas vamos ao que interessa.

Comprem a LER de Dezembro. Essa mesmo, a que está ali em cima na foto. Sem prejuízo do bem e bom que lá se diga, da página 52 à página 63, o Nuno Costa Santos assina um dossier em que ressuscita o João Alfacinha da Silva, o one and only Alface que, por ser amigo do Dinis Machado, do Pedro Bandeira Freire, do meu amigo Gutierres a que outros chamam Setúbal, foi também meu amigo. O Alface trabalhou comigo na SIC, assinando o argumento de um telefilme (ou foram dois?) e escrevendo as piadas, piadolas e suaves javardices de um programa chamado “Partir o Coco”, que a Rita Blanco apresentava. Sabia rir, sabia comer e sabia beber. Com ele, tivemos um grupo jantarista que terminou quando o Pedro e o Dinis decidiram seguir o Alface, nuvens acima, para mais etéreas paragens. Este dossier do Nuno faz-lhe justiça – bem investigado, ainda mais bem escrito. Estão lá os silêncios do Alface, os seus fulminantes aforismos.

O segundo elogio é para o “Livro do Dia“, da TSF. Apresenta-o diariamente o Carlos Vaz Marques e é um acto de serviço público. A escolha é ampla e eclética, tocando autores nacionais e estrangeiros, contemplando todas as editoras (a minha Guerra e Paz também) e a apresentação é sóbria e directa. Sempre que ouvi, os mais ou menos dois minutos da rubrica deixam-me numa pilha de nervos por não ter o livro à mão e por ter a vidinha num tal oito que não me deixa tempo para passar, regalado, o dia a ler. Convido-vos a darem-me razão, ouvindo esta bela nota sobre “As Obras Completas” de Lewis Carroll.

E com esta, 2014 arrumado, gaveta fechada. Com uma promessa, em 2015 não vou deixar os elogios para o fim. Nos próximos dias há mais.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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4 respostas a Ando para dizer isto desde 2014

  1. llopes49 diz:

    E disse muito Bem.

  2. Ficaremos cegos com a luz (platónica: o sol, a ideia de bem) em 2015

    Rivers of poison, oceans of depravity
    By the hands of the antagonist
    Winds of fire, storm of the apocalypse
    Proclaim the relentless return of satan!
    Crush all morality and bring forth the beast
    Hunt down the weaklings and abase all that is holy

  3. Beatriz Santos diz:

    Estou um bocadinho indisposta com o vídeo acima, mas pronto.

    Pois é, as pessoas são assim, de vez em quando sobem às nuvens, evaporam. E depois ficamos sem elas. Porque Lobo Antunes está carregadinho de razão, lê-los não lhes dá vida. Mas faz-nos lembrá-los. Isso sim. E, se forem bons, a lembrança torna-nos melhores. Não se perde tudo.

  4. EV diz:

    O bom da vida é isto, o beijo dado, o apreço, a validação. Antes que a morte os leve e nos leve.

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