O tempo dos assassinos

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Todo o grande humor é Triste

E todo o tempo é tempo de assassinos. Num tempo foram inquisidores, noutro anarquistas, noutro nazis, noutro khmers rouges, noutro etarras, noutro islâmicos. Há sempre uma verdade fodida, única, uma razão que só aqueles olhos vêem e que autoriza a “limpeza”. Quando a verdade assume a forma ululante de revelação, como diria Nelson Rodrigues, “só o ódio é promocional.”

A Wolinski, que num dia programei na SIC, aos que foram assassinados, como não sei pôr aqui rosas, digo-lhes
Todo o grande humor é Triste

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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15 respostas a O tempo dos assassinos

  1. adelia riès diz:

    Mulher de Jornalista, Amiga de Jornalistas, hoje é tempo de choque e tristeza.

  2. EV diz:

    E este é um tempo que nem com tanto tempo passa. Que tristeza. Qual foi o programa?

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Dois programas, um, com um traço único desenhando um cartoon, com uma duração de um minuto, foi em horário nobre, durante alguns episódios. Não me lembro do título. O outro, mais erótico, chamava-se Sales Blagues.

  4. Ainda estou em choque.

    Esta capa é mesmo muito boa. Obrigada por trazê-la aqui, Manel.

  5. Margarida Cunha diz:

    Estou triste! Gostava de ter visto, em todas as primeiras páginas dos jornais,um desenho que honrasse a morte de jornalistas livres e sem medo! Que a vossa luta não tenha sido em vão !

  6. Jorge Silvano diz:

    O que dizer de quem tem mais horror à liberdade do que ao toucinho proibido???

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Temos que saber oferecer, em democracia e liberdade, formas mais excitantes e exaltantes de vida a estes miúdos que correm desenfreados para os braços de um fundamentalismo que lhes dá um sentido, um propósito, o calor da subversão, da mudança e da “limpeza do mundo”… Talvez a questão não esteja no toucinho.

  7. ERA UMA VEZ diz:

    Hoje há por aqui um luto inesperado.

    Atravessando corredores vazios, salas e quartos silenciosos, lembro o tempo das gargalhadas, do fale um de cada cada vez se faz favor, onde se crescia, discutia, se escreviam textos, se faziam pequenos cartoons, imitações e mais imitações e se ria se ria muito.

    Aqui, onde um silêncio sereno vai tomando a cada dia mais território, cresceu gente alegremente balizada por vontade própria, entre o jornalismo, o desenho e o humor…
    E o caminho era esse. Existem provas.

    Hoje haverá outros corredores vazios onde também se cresceu entre a arte o humor e a liberdade. E gente ainda perplexa de dor perguntando porquê.

    Nem todos os silêncios são iguais, imagino.
    Passarão muitos dias, muitos anos talvez, até chegar a serenidade.

    Como tudo na vida, o amor e o humor, também têm preço.

    Que Deus os ajude.
    Alá deve estar triste.

    (Nous sommes Charlie, 7/1/2014)

  8. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Um tempo de silêncio e sem imagens…Uma noite profunda…deve ser esse um dos objectivos dos assassinos…

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