As 50 Sombras de Grey

soldes

uma multidão concupiscente

Vai um pobre ser humano, em vagares de weekend, ao El Corte Inglès e apanha os corredores apinhados de filas para ver “As 50 Sombras de Grey”. Há senhoras de algemas, terceira idade de casaco de couro à Varoufakis, decotes à beira de uma certa e segura pneumonia. E não é só não se poder passar. Houve mesmo uma avó da minha idade a dardejar-me com um olhar lascivo. Tive a amarga sensação de ser objectificado. Sexualmente.

É, vi eu, uma multidão concupiscente. Mas o que é que passa com este povo que, vai para século e meio, tinha como referente erótico a “Rosa do Adro”, o leve rubor que aflorava a nívea face de Rosa ao ser provocada pelo olhar sedutor de Fernando, o rico filho do Capitão?

manuel-rodrigues-rosa-do-adro

o rubor a aflorar-lhe a nívea face

Este era um povo que, para ver uma mulher nua à luz do dia, teve de viajar para África e entrar pelo mato dentro. Este era um povo que jejuava um ano para, em domingo gordo, encher os olhos com dez gloriosos minutos de suadas e sambadas imagens do Carnaval do Rio que a RTP emitia ao fim da noite. E demos nisto, em vez de chás na Bénard, há uma procissão para bondage, dominação e submissão, choquezinho eléctrico sado-masô! Agora, compreendo Passos Coelho: isto não é fácil de governar.

Se eu estou contra? Qual contra. Sinto-me um excluído por não ter lido o livro. Hoje, fiquei convencido, vou ver o filme.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

13 respostas a As 50 Sombras de Grey

  1. Pedro Norton diz:

    Manuel, caro Manuel,
    olhe que aparecer de baby grow em jantares do blog o dispensa de ir ver essa pessegada. Vexa já tem um doutoramento em fétiches. E logo azul bébé!

  2. Manel, devias ter aproveitado a lascívia, se não a confundiste com cataratas, talvez na Ásia te levantassem um pagode

    https://www.youtube.com/watch?v=LU9Qfc45Feo

    PS: Esta canção foi escrita pelo já falecido Edwin J. Bocage, quiçá pai do setubalense Manuel Maria de Barbosa que, se te cruzasse num shopping, aconselhava-te 50 soalheiras de Yellow:

    Si a Asia visse coisa tão bonita
    Talvez lhe levantasse algum pagode
    A gente, que na foda se exercita!

    Belleza mais completa haver não pode:
    Pois mesmo o conno seu, quando palpita,
    Parece estar dizendo: “Fode, fode!”

  3. Beatriz Santos diz:

    A sério?!

    Não acredito. Os filmes de que fala e diz que gosta nada têm a ver.

  4. Jaime Duarte diz:

    Detesto multidões ainda por cima “mal amadas(os)”. Não me apanham lá…há tanta coisa para ver…

  5. anaritaseabra diz:

    Eu então sou excluída máxima. Nem livro e ver vai ser difícil!!

  6. EV diz:

    Não li o livro, nem vi o filme, mas a Playboy, há já uns aninhos, publicou um belo artigo sobre estas trezentas e cinquenta mil sombras – bom artigo, por sinal, para mais tinha bonecos, perdão, bonecas. Depois conte tudo!

  7. nanovp diz:

    Pois se calhar prefiro a Playboy da nossa querida Eugénia…mas conta lá depois, o que foi atravessar a sensual multidão que descreveste, e chegar à sala escura, (em tons de cinza claro está )…

Os comentários estão fechados.