Maria Guinot

Tinha 27 anos quando vi Maria Guinot representar Portugal no Festival da Canção. Num mundo dominado por autores do sexo masculino , “Silêncio e Tanta Gente” com letra e música da autora, traz-nos delicadeza e sensibilidade. Infelizmente a doença tem-nos impedido de a ver.


Silêncio e Tanta Gente
Maria Guinot

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
É um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um altar aonde não estou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p’ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d’aquilo que sou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Em 2014 Lúcia Moniz consegue cantar a música com parte da nossa (minha) história a passar por trás.

Este blog não é dado a lamechices (felizmente) e apesar de parecer que aqui se escreve triste quero celebrar com muita alegria o que a Maria Guinot nos deixa todos os dias.
Uma música de sempre, para sempre.

Obrigada Maria Guinot.

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem.
Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton.
Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque… escrever é triste.

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8 respostas a Maria Guinot

  1. Beatriz Santos diz:

    Curioso, sempre achei Maria Guinot um caso raro e à parte, no mundo da canção portuguesa. Qualitativamente superior. Além de cantora ela é sobretudo uma mulher muito sensível e dotada. E uma poeta indubitável. Não pode haver, porque o mundo as não sabe criar, muitas estrelas de tal calibre.

    • riVta diz:

      Estrelas não faltam cara Beatriz. Espaço para elas brilharem é que se torna mais difícil. Quem tem a chave do espaço tem um pequeno clube nos fundos. Só entra Bolinha.

  2. Fatima MP diz:

    Tão bom recordar Maria Guinot e essa belissima canção. E que pena ela ter ficado por aí. Saudades dos rostos que ajudaram a remeter a música para um tempo e numa história onde também me reconheço. Amei.

  3. Carlos Coelho diz:

    Confesso que não sei aonde a Maria Guinot estava com a cabeça quando escreveu esta “barbaridade” (Silêncio e Tanta Gente).Confesso também que gostaria de ter sido eu a fazê-lo,mas,para isso falta-me,talvez, a sensibilidade.Quantas vezes nos sentimos sozinhos no meio de tanta gente.Não me falta porém a sensibilidade para dar um beijo a essa grande Cantora e Poeta.Um beijo também para si Rita,por não deixar esquecer quem merece ser recordado.Carlos Coelho

    • riVta diz:

      Obrigada pela visita. A inspiração é fruto de uma grande dose de trabalho. Depois há harmonias felizes que casam ou descasam bem. 🙂

  4. Júlio J. Matias diz:

    Seria possível saber onde encontrar a canção que Maria Guinot fez para homenagear Adriano Correia de Oliveira?
    Só a ouvi uma vez, mas ainda me martela o refrão.
    “Ponham na minha campa
    Caneta e papel a jeito
    Tenho tanta canção nova
    A nascer dentro do peito”

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