Arquivos Mensais: Março 2015

Os dedos sim, mas perdoa-me meu amor não ter tempo

Fui, nos anos 70, leitor breve e intermitente de Rui Knopfli, poeta português que o desmembramento do Império fez moçambicano. Ou que, quando ainda soavam os surdos tambores do Império, se sonhou o moçambicano que, depois, descobriria ser só nacionalidade … Continuar a ler

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Um dia o sol da tarde

O SOL DA TARDE Coisas barrocas acontecem, excessivas, e o lume alto da decadência, arranha o escuro e incendeia: sinapses, o fim das estrelas: o insuportável coração explode. A folha branca, o silêncio branco, quanto tempo para a brancura toda? … Continuar a ler

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O perfume de Vénus

Não é só a branquíssima pele – alabastrina, não é? Vénus, por certo saída há minutos do banho, espelho levantado para se certificar que apanhou com elegância o cabelo, quer cheirar bem. Tem à sua direita uma ninfa parva e inútil, que … Continuar a ler

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O mais belo conto de Herberto Helder

Faço-vos um desafio. Comprem “Os Passos em Volta“, de Herberto Helder. É um livro de contos. Incursão rara do poeta na prosa narrativa. O mais próximo que ele terá estado de um romance. Agora que já compraram “Os Passos em … Continuar a ler

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Elinga

Palco do Elinga. Fevereiro de 2015   Do outro lado da porta que não tem porta está um bebé. In útero. No palco, um homem e uma mulher. Tantas possibilidades. Muitos mais futuros . Esta foi uma das últimas fotos … Continuar a ler

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O Fim dos ismos (agora ao vivo e a cores)

As notícias sobre a morte das ideologias são francamente exageradas. Mas todas elas já tiveram, a verdade é esta, muito mais vida. Se o fim dos ismos significar apenas o fim dos dogmas acríticos, o Mundo ter-se-á feito mais inteligente … Continuar a ler

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Santa Convenção, Padroeira de Portugal

  CONGREGAÇÃO: Santa Convenção, Padroeira de Portugal Livrai-nos do mal, livrai-nos do mal. Santa Convenção, Padroeira de Portugal Livrai-nos do mal, livrai-nos do mal. CELEBRANTE: Por tudo o que é amável e habitual, por tudo o que é confortável e … Continuar a ler

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Dia a dia, lentamente.

Os arquitectos não tem de saber pintar, nem os poetas de tocar violino. Os escritos de Tarkovsky são mais notas e apontamentos, conceitos e formulações de opinião. No seu livro “Sculpting in Time”, um título que diz muito sobre o … Continuar a ler

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Mas por que raio é tão bonita a palavra não

Bem podemos pensar que temos uma língua para beijos e outras mais lambidas amenidades. Pensamento espúrio, quando na nossa língua brilha a palavra “não“. Só queremos ouvir um “sim“, mas há logo uma parcial obstrução nessa consoante que é a … Continuar a ler

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A mulher autónoma

Éramos só homens, centenas, e apareceu a mulher autónoma, senhora de si. Descobri a mulher autónoma, a que decide sobre a sua vida e sobre a sua solidão, aos 16 anos Chamávamos-lhe o cinema dos sargentos e era num quartel, … Continuar a ler

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Rêverie

  Sonha-se a dormir, dizem; eu sonho acordado. A luz da manhã é já uma cabeleira loira a sacudir-se sobre a praia. Os pescadores negros apanharam cacusso. Vendem-no barato se quisermos, mas hoje não é dia de mufete. Trouxemos as duas … Continuar a ler

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Metropolis reloaded

Arrastei-o. Sim. Confesso. Comprei os bilhetes às escondidas. Justifiquei a sua ausência no treino de rugby directamente com o treinador. Apresentei-lhe a coisa não como uma proposta interessante mas como um trabalho de casa de matemática. Tem de se fazer … Continuar a ler

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Anita no Varão

A miúda da seguradora lá de baixo é um raio de um paradigma: devia ser ela em néon por cima da porta e não o cão encarnado da Fidelidade: o mundo é lixado naquilo que pede às mulheres e, no … Continuar a ler

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Era depois da morte herberto helder*

                                                      “Se um dia destes parar…”     * princípio do poema VAT 69 … Continuar a ler

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Morreu Herberto Helder

Dizem-me que morreu Herberto Helder. Se morreu, é uma morte que Herberto fez questão em anunciar e preparar em “Servidões”, livro no qual, em 10 pági­nas de inclas­si­fi­cá­vel prosa, a que se somam outras 98 com 73 poe­mas, se escrevia … Continuar a ler

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