A memória dos séculos II

Misteriosamente, sempre vivi rodeado por livros. E digo misteriosamente porque em boa verdade nunca existiu uma biblioteca digna desse nome em casa dos meus pais. E porque, com uma ou outra excepção, não foram os livros que povoaram a minha infância.

Mas, já vos contei, tive a sorte de ter um avô herói que escrevia romances na nuvens, um pai que me fez explorador de todos os mistérios do Mundo e uma mãe com mãos que eram de Sophia. Foram, são, cada um à sua maneira, os livros da minha infância. Livros abertos, fechados, misteriosos, calados, delirantes, levemente sussurrados. Fizeram-se a minha biblioteca e eu, que não podia viver sem ela, reconstruí-a a partir da adolescência. Hoje vivo, também literalmente, rodeado por livros. O meu paraíso é Babel.

Livros 4

Livros 4

Livros 5

Livros 5

Livros 6

Livros 6

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.

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