É Abril e Digo

imagesAOW209NQ AÉ tempo de alcançar todas as Primaveras. De rebolar em todos os prados. De recolher cada pérola de chuva. É abril! Por isso te digo:

fala-me de liberdade,

deixa que encastele ilusões,

traz sonoridades dos futuros,

vem revisitar o que plantámos noutras primaveras,

renova a água que absorvíamos sequiosos,

abre as mãos em concha para nelas aninhar os meus sonhos,

lembra-me melodias do passado, 

tira a máscara que agora te esconde,

não deixes secar as fontes que nos saciaram,  

escuta comigo todos os silêncios e sente os ecos,

solta as canções de Maio que trazes nas veias, 

corre comigo de mãos dadas por um vinte e cinco nunca esquecido.

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade. No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria. Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.
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Uma resposta a É Abril e Digo

  1. marie diz:

    Gosto das riscas brancas e pretas, gosto dos cravos vermelhos sobre elas, sim vermelhos; para mim os cravos serão sempre vermelhos.

    Gosto de Primaveras

    Adoro prados

    Gosto de Pérolas

    Liberdade

    Vivo de ilusões e futuros

    De conchas de água e sonhos

    Sons e melodias

    Quem vive não usa máscaras

    Vive de fontes e quebra silêncios de mãos dadas …

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