No que não se vê

CREDO

Creio nos cães
e nas mentiras das crianças,
creio nas mães
e no amor feroz pelas crias
sejam filhos ou filhas,
portanto, de modo geral,
creio no mundo animal.
Creio nas coisas feitas
contra toda a razão,
e por isso só juro pela ficção.
Creio na paixão,
na pintura, na música,
no cinema, na poesia,
portanto, creio na alegria.
Creio no que não sei como.
Creio no sim sem saber porquê,
portanto, creio, acima de tudo,
no que não se vê.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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14 respostas a No que não se vê

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Ora, ora, assim também eu acreditava…

  2. Teresa Font diz:

    Também rezo por esta cartilha , Eugénia.
    E, como diz o Manuel, se não rezasse, convertia-me já.

  3. riVta diz:

    Credo!
    🙂

  4. A. (Ou A Senhora A.) diz:

    Acredito na poesia porque é onde me escapo…
    🙂

  5. Fatima MP diz:

    Oi, Eugénia!
    Creio na poesia mas não nos poetas. São fingidores …
    Creio na paixão, mas não nos apaixonados. São amadores …
    O resto, creio em tudo.

  6. Pedro Bidarra diz:

    Creio no não sem saber porquê,
    creio, por­tanto e acima de tudo,
    naquilo que se vê.
    De resto também creio
    em tudo o que acima se lê.

  7. nanovp diz:

    Crer sem ver, como nas mentiras das crianças…

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