Um pouco de deserto

Passou como um vento quente, do norte de África, a lembrar areia fina e chá.

Uma banda de mestres, François Couturier no piano, Klaus Gesing no clarinete baixo, e o próprio Brahem no alaúde, acompanhados pela Orquestra da Gulbenkian.

Foi um pouco de ar do deserto ali no auditório, cheio, da Gulbenkian, Lisboa mascarada como se fosse Túnis.

 

 

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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4 respostas a Um pouco de deserto

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Lindo. A pedir tenda.

  2. EV diz:

    Bom! Só tenho Le pas du chat noir e não conhecia muito mais…

    • nanovp diz:

      E é um grande álbum Eugénia…Este concerto foi sobretudo o último álbum “Souvebance”, mas recomenda-se ainda o “The Astounding Eyes of Rita”…

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